É imperativo que um novo álbum adicione uma nova especiaria ao caldeirão sonoro e certamente que “I Am King” não é excepção. É de salientar que um dos aspectos fulcrais deste novo registo é que o vocábulo “Kids” é retirado do nome da banda e, por isso, se autoproclamam Code Orange. Tomando este facto por si só adivinha-se a sua coragem e até alguma presunção.

Dadas estas condições iniciais, foi-se salivando e julgando as crescidas crianças com os videoclipes (de excelente bom gosto!) “I Am King” e “Dreams In Inertia”. A ambas as faixas se aplica oslogan pessoano – “estranha-se mas entranha-se”. Em “I Am King” estranham-se todas aquelas pausas entre o ruído, por exemplo. Entretanto, surgem os berros e voltam os ex-Code Orange Kidsconhecidos. “Dreams In Inertia” é uma música altamente sedutora, viciante e envolta num ambiente febril. Diria que esta faixa representa um dos pontos mais altos neste álbum. O breakdown é tão eficaz. Simples mas matemático. Óbvio mas não corriqueiro. A estas faixas juntou-se também o stream de “My World”. Trata-se de uma daquelas filhas da curta que só apetece espetar a mioleira contra a parede. O intro de guitarra anuncia algo de apocalíptico e não se fica pela ameaça…

Analisando este álbum na sua globalidade, pode-se afirmar que é muito mais coeso do que o anterior. Existe um sentido mais cuidado para que cada faixa contenha a maioria das facetas da banda. O anterior álbum (“Love Is Love//Return To Dust”) era mais fragmentado enquanto que este mescla tudo de forma mais subtil. No anterior álbum existem transições abismais em termos de intensidade. Numa frase, diria que este álbum conseguiu incluir toda a agressividade e ternura sem tanto solavanco.

As expectativas eram bastante altas para este segundo álbum e os ex-meninos poderiam ter feito a nódoa da vida deles; mas fizeram uma boa auto-avaliação! Foram bem sucedidos em mostrar maturidade e mais do que isso – bateram o pé e afirmaram perante o mundo da música intensa que estão aqui para desabrochar algo de novo. Poucos se podem orgulhar de ter deixado as fraldas e a chupeta em honoris causa.