Tinha chegado, sem sombra de dúvida, o momento mais aguardado de toda a noite Clubbing. A atestar aquilo que já seria uma evidência, uma Sala 2 da Casa da Música perfeitamente repleta, encalorada para ser acalorada.

A dupla que nos chega de Nova Iorque, composta por Evan Mast (multi-instrumentalista), Mike Stroud (guitarrista), faz aquilo que poucos conseguem fazer, ou seja, fazer de uma pista de dança o seu palco rock. Ou, se vos aprouver, fazer do seu palco rock o motivo para se ter uma pista de dança.

Habituados a partilhar palco com nomes tão distintos (sim, nas duas acepções da palavra!) como BjörkDaft PunkMouse on MarsInterpolBattlesFranz FerdinandCansei de Ser SexyThe FaintSuper Furry AnimalsClinicPanther,Mogwai!!!ElectrelaneTortoise ou, mais recentemente, Vampire Weekend, os norte-americanos não tiveram rigorosamente dificuldade nenhuma em agarrar “sem espinhas” toda a audiência que, diga-se, aliás, já estava à sua espera para se dar início à festarola.

A demonstrar todo o ecletismo daquela rapaziada, veja-se as colaborações de Mike Stroud (em estúdio e em tour) com Ben Kweller ou com os Dashboard Confessional, mas também, relativamente a Evan Mast, no seu projecto paralelo laptop-popintitulado E*vax que leva a cabo, repartido nas suas obrigações profissionais como designer gráfico.

Colorido de som e de cor é o baile que nos oferecem os Ratatat, que nos viajaram por entre os seus 4 LP’s (2010 deu à luz o mais recente LP4), senhores-meninos que gostam também das remisturas (ouça-se aquele “cross-genre mash-up” em 2007, de seu nome Remixes, Vol. 2 , na visita ao, para alguns menos atentos, inesperado mundo do hip-hop).

O som e os solos da guitarra eléctrica escolhidos por Stroud são sempre os mesmos. Muito pouco sérios e parolíssimos. Por isso, perfeitos para encaixar no baixo encorpado e nas electrónicas alucinadas de Evan Mast. Caramba, teremos que lhes reconhecer mestria na alquimia de tais ingredientes, correcto?

Nesse Pantagruel festeiro e, normalmente para encerrar alguns dos temas acidentalmente épicos, convocam para cima do palco dois largos tambores que funcionam na perfeição para reconhecermos que orgânica é também a sua condição. Não esquecer o adereço principal que é, nem mais nem menos, a tela e a projecção de imagens que alternam sempre entre o cómico e o doentio. É que isto também é Ratatat, pois claro: a assumpção de uma queda para a loucura, caminhando no limbo da patologia pelo foleiro: veja-se o belíssimo e desgraçado lettering do “logo” da dupla, para se perceber do que se fala.

Esta espécie de andróides que suam e que soam não perdoou nem facilitou: fez a festa. Faltou-nos foi mais espaço para bailá-los.