Serão os Electric Wizard a banda mais pesada do cosmos? E que tal Dopethrone para clarificar isso? Pelo menos para a Roadburn está mais claro que sim, ou não o poria como melhor álbum da presente década. De qualquer modo, falar de Electric Wizard é falar de algo que não faz canções, se calhar nem sequer faz rock, fazem sim “trips” envoltas em universos regados de enxofre e muito poder obscuro.Tendo pegado no lado mais bizarro e místico dos Black Sabbath, espelhado em músicas como Black Sabbath e Electric Funeral, entornando-o através de um filtro fantasmagórico, os Electric Wizard em Dopethrone conseguiram criar uma sonoridade sarapintada com tonalidades monolíticas cuja escuridão não pode ser devidamente espelhada, a não ser que se faça a prova sonora das mencionadas “trips”.

Ainda assim, algum borrão pode ser sugestionado para fazer surgir alguns flash cerebrais, sobretudo se tiverem em conta um método comparativo. Já se falou em Black Sabbath, mas pode-se ir um pouco mais além e lembrar uns White Zombie ou as ambiências de séries b de horror. !!!Twilight Zone!!! Devidamente colocados no cenário, agora imaginem longas composições percorridas por repetidos, extensos e pausados riffs maciços que, por comparação, fazem parecer os de outras bandas do género um pouco pop e, sem exagero, amaricados.

Com um balanço entre as ” trips” mais alongadas, casos de Funeralopolis, e I The Witchfinder, e outras substancialmente mais encaixadas no formato canção comoVinum Sabbathi e We Hate You, sem deixarem estas de corresponderem à dureza, acidez e enxofre na dose exacta Electric WizardDopethrone encarna Boris Vianamente a erva daninha que se esquiva do encanto da urbanidade amorfa e a esfola com feitiçaria de umas trevas ateias.

Esquizofrenia sobre a morte, feitiçaria, e consumos prolongados de erva, este é o doom, rock/metal ou não, tanto faz, na sua forma mais primitiva, crua e directa. Marcou o início de uma década e impôs uma dinâmica própria dentro de um género que deu um salto imenso na altura.