Caos, unicórnios e auto-embrulhos foram os elementos que fecharam a noite do último sábado em Oliveira de Azeméis. O Christmas Fest aglomerou um público em número considerável para uma noite que se adivinhava invulgar, não só pela localização mas também pela quadra em si. A verdade é que a conjugação inesperada destes factores, aliada a concertos de qualidade, contribuiu ainda mais para a satisfação da audiência.

Não é fácil organizar um evento em Oliveira de Azeméis. As pessoas chegam tarde, não estão habituadas a ouvir géneros musicais tão específicos, etc. No entanto, nota-se um esforço inteligente da organização para educar a sua audiência. Note-se, por exemplo, que dois dos quatro actos são instrumentais. Por outro lado, apostam num cartaz que pretende agradar a pessoas com diferentes gostos. Basta pensar em Mr. Miyagi e comparar com as restantes bandas.

Os Five Gallon Bottle abriram a noite na Estalagem de S. Miguel. Espaço curioso, pois situa-se numa colina e o baterista fica de costas para uma parede envidraçada, através da qual o público contempla a paisagem envolvente enquanto disfruta do concerto. A sala é bastante ampla e, apesar de não ser uma sala desenhada para um espetáculo, tem a sua personalidade. Até uma enorme lareira existe, convidando o público a viver um ambiente familiar.

A confirmação desse mesmo sentimento surgiu com os Pterossauros. Apesar da intensidade da banda, o saxofone introduzia uma outra dinâmica e uma sedução que liga muito bem com as investidas rítmicas. A banda portuguesa deu um concerto surpreendente. Basicamente, existem dois tipos de bandas: as que sabem pegar nos instrumentos que têm à frente e as outras. OsPterossauros sabem, e sabem bem. Excelente sincronia entre baixista e baterista.

Seguiram-se os Mr. Miyagi, um acto muito mais satírico e informal. Como habitual, debitaram a sua dose de punk e rock’n’roll de Viana do Castelo. O guitarrista, Jaime, demonstra uma presença em palco contagiante e tem uma forma de tocar sui generis. Infelizmente, partiu uma corda e uma quebra não é nada favorável num concerto que se quer curto e intenso. O vocalista Ciso tentou puxar pela audiência com a mesma garra ao longo de todo o acto. A verdade é que a banda monta a “Destruction Party” por si só, independentemente da agitação do público.

A noite prometia bastante mas o melhor ainda estava para vir. Os espanhóis Unicornibot já passaram por Portugal diversas vezes e são uma daquelas bandas que ao vivo ganham um outro sentido. A banda mescla caos, boa disposição, suor e groove. Este concerto em particular foi especial porque a banda apresentou-se em palco pela penúltima vez antes de entrar em hiatus. É incrível o clímax que a banda cria à medida que o concerto chega ao fim. Quando se pensa que a intensidade não pode crescer mais ainda… lá estão os Unicornibot a jogar com a nossa mente de novo. Concerto irrepreensível. Na última música, o baterista tira finalmente o seu embrulho da cabeça e pendura-o num suporte de um prato. Entretanto, a faixa caminha para o fim e os embrulhos em forma de unicórnio já voavam pela audiência… memorável!