Por que não usar o ano de 2012 para lançar um álbum de heavy metal? Pois é, os Christian Mistress não parecem minimamente importados com aqueles que afirmam que o estilo pereceu quando a torrente do grunge invadiu os Estados Unidos. E, ouvindo bem o que este Possession tem para nos oferecer, ainda bem que se estão nas tintas.

No fundo, estamos na presença de um álbum ridiculamente refrescante, apesar de fazer uso de riffalhada e ritmos bem ao estilo dos Mercyful Fate ou dos Diamond Head. Executando a tarefa com uma “smoothness” encantadora, os Christian Mistress transparecem classe e não evidenciam aquela vontade de se assomarem como os rebeldes mauzões anti-pós-90, vontade essa que tantas vezes fica estampada nas bandas revivalistas do thrash ou do NWOBHM. Os Christian Mistress limitam-se a tocar bem, muito bem, heavy metal e o sincero apreço que nutrem pelo estilo fica demonstrado a cada malha de Possession. E, depois, claro, a voz de Christine Davis é a cereja no topo do bolo. De registo afinado, profundo e que não se deixa levar pela estridência, esta mulher é bem capaz de ser do mais talentoso que há por aí.

Um segundo álbum de carreira que não se deixa ficar pela rapidez do heavy, piscando, a espaços, um olhinho ao doom tradicional e ao ocultismo tantas vezes correlacionado com o género. Aliás, a música Possession, que dá o título ao disco, é uma cover de Faith, banda sueca que nos anos oitenta dava se dedicava a uma versão escandinava daquilo que os Pentagram faziam nos States. Há também lugar para passagens acústicas, tornando este trabalho dos Christian Mistress, o primeiro pela Relapse Records, uma excelente peça old school, mas que nem por isso parece anacrónica com a segunda década do século XXI.