Vinte anos de saudades agora mortas pelos Cherubs, que são tão importantes para o post-hardcore como uns Shellac ou uns The Jesus Lizard. Aquele tipo de relevância que não se mede pelo número de discos vendidos mas pela ganadaria de bandas que lhes seguiu no encalce. Voltam para enfiar os braços na lama e voltam bem os velhotes, acreditem, cheios de guitarrada para vender ao quilo, a relembrar os riffs vernaculares dos também grisalhos NoMeansNo. Como se pode assumir uma postura pesada, bem pesada, sem chegar ao regabofe metaleiro, mantendo em simultâneo aquela pinta charmosa de quem já bateu no father time há algum tempo? É que quando eu penso que eles estão quase a chegar ao ranço frenético dos Unsane, desaceleram rumo aos momentos mais descontraídos típicos dos Melvinsbonacheirões. Vão por mim, “Cumulo Nimbus” poderia ser uma malha feita pelo Buzz Osborne pós-pós-pós-grunge. É psicadélica, catchy, quase surfista de tão relaxada, tipo um gajo que segue para a praia em boxers por despreocupação absoluta. É isso! “2 Ynfynyty” é um disco despreocupado, naquela de ver se isto do rock ainda rende, e rende mesmo, porra. Grandes secções rítmicas, grandes combinações pop-noise, grande groove.