Dois anos após o estreante homónimo, o nome de Capicua circula tal como o próprio dita: não se termina nem inicia uma conversa sobre rap sem mencioná-lo. E sabemos que o Jorge Palma também gosta dela. Após ter assistido ao concerto a convite de Sérgio Godinho no jardim de inverno do São Luíz, completava-se uma semana desde que a primeira apresentação da “Sereia Louca” em Lisboa esgotou o Music Box. Foi numa sexta feira, na véspera, que nos encontrámos com a Ana no centro lisboeta, afastados do barulho e da sua azáfama num dia sem sol, abafado. O sossego de não haverem jornalistas à espera prolongou por quase uma hora a eloquência que, fora da música, demonstra ao falar dela. Acompanhada por descontracção e seriedade nos seus dados momentos, a conversa maratonou por diversos sentidos. Pelas marés que empurraram a “Sereia Louca” para terra, um pouco por política, mais sobre rap.

O “Sereia Louca” saiu há pouco mais de um mês e, pelo que tenho visto, está a correr bem. Se continuar assim ou, se correr mesmo muito bem, vamos ter sapataria?

(Gargalhada) Provavelmente não. Ainda tenho de trabalhar muito para fazer dinheiro para uma sapataria mas acho que está a correr bem. Mas também, o objectivo correr bem é eu sentir que o disco chega às pessoas, né’? Porque se eu tivesse pretensões de fazer muito dinheiro ía-me dedicar a outro negócio que não música. Mas não me posso queixar. Até agora tenho tido bom feedback mas não tenho dinheiro para empreender. Os neo-liberais íam gostar muito mas ainda não tenho condições para me tornar uma empresária do calçado (risos).

Sei que, possivelmente, estás farta de contar essa história mas se a quiseres contar outra vez… e, a partir daí, explicar-nos o conceito que quiseste trazer para o disco…

Posso contar… Basicamente sonhei que tinha aberto uma sapataria na Rua de Cedofeita, no Porto. Que é uma rua de comércio assim daquelas bem tradicionais. E chamava-se “Sereia Louca”, a loja. E, como podes imaginar, de manhã quando acordei achei que isto era demasiado estapafúrdio. E o nome, sobretudo, foi o que mais me intrigou. Achei que não podia ter sido eu a inventar aquilo. Andei à procura, não encontrei em lado nenhum… Percebi que, de facto, tinha inventado aquilo no meu subconsciente. Depois é que me apercebi, passado umas semanas, que “Sereia Louca” era um belo nome de sapataria porque só uma sereia louca vai comprar sapatos, pois as sereias não têm pés. Então achei ainda mais piada por o meu subconsciente estar a fazer jogos de palavras. Depois apercebi-me também que se separasse o “a” da “sereia” ficava “serei a louca”. E depois andei a ler sobre sereias… E achei que a história das sereias era interessante porque elas têm essa dupla condição: de serem uma criatura super sedutora, associada à beleza, à sedução. Mas, por outro lado, de serem criaturas perigosas, que têm sempre a insatisfação em si de querer sair do mar e ganhar pernas… As sereias têm o encanto, a sedução, o canto. Mas também o grito, a frustração. E achei que por todo esse imaginário havia muitos temas para fazer uma música e decidi que ía fazer uma música chamada “Sereia Louca”. E, bem mais tarde, – normalmente, quando tenho uma ideia fico ali a marinar durante muito tempo antes de partir para o papel e prá’ caneta. Nesse processo, achei que era um tema interessante para fazer um disco. Não só do ponto vista temático – que tinha muito potêncial, sobretudo pelo temas femininos, da água, da mulher… muitas histórias para contar –, mas também do ponto de vista formal, porque eu tinha ideia de gravar versões acústicas e queria fazer um álbum que fosse híbrido e a sereia tem duas metades. Musicalmente falando: pensei em instrumentais com samples de voz e que também eles próprios tivessem um pouco do canto das sereias… pronto, achei que era um conceito muito rico para fazer o álbum. E assim foi.

Comparativamente ao primeiro álbum, o conceito que este carrega, tornou o processo criativo mais fácil e rápido?

Sim. Primeiro, porque não estava a fazer música a tempo inteiro. ‘Tava a fazer um doutoramento, portanto foi um disco que fiz nos meus tempos livres. Depois foi o primeiro disco. Mesmo que eu tivesse já trabalhos anteriores, um disco é uma coisa que exige muito esforço, muita disciplina, muita dedicação. É preciso resistir durante muito tempo até atingir o resultado final. No primeiro foi tudo muito mais sofrido. Até porque não tinha o apoio de uma editora. Tinha de ser eu a investir, pagar pouco às pessoas que trabalhavam comigo, um estúdio mais doméstico… Neste disco, além de ter mais condições para trabalhar e de ‘tar a tempo inteiro a fazê-lo, o meu próprio método de trabalho ‘tava mais aperfeiçoado. Já tinha encontrado um processo de como gosto de trabalhar e depois a mixtape que fiz entre um e o outro também deu para limar algumas arestas. Portanto, já estava bastante mais madura enquanto MC, a trabalhar a tempo inteiro com mais condições e, como disseste, com um conceito, que era tipo o fio de prumo, e eu sabia bem o que queria fazer. Ter um método para mim é muito importante porque acaba por olear a máquina. Claro que vou ter momentos de insegurança, claro que há coisas que vão resultar melhor que outras e que nunca é fácil. Mas, à partida, se cumprir com o método que eu consegui pra’ mim própria, pelo menos não me perco no meio daquele caos que se pode tornar esta coisa de fazer um disco.

A demanda pelos beats também foi mais tranquila?

Foi, muito mais. Estarmos a perseguir uma visão, um feeling, uma ideia, uma cor… e depois conseguir concretizar aquilo em música, é complicado. Principalmente quando estamos dependentes do trabalho de outras pessoas que é o meu caso. Se calhar pelo meu trabalho anterior as pessoas estavam muito disponíveis para me oferecer instrumentais e isso é bom. Não precisares de explicar quem és e ao que  vais. Mas nem sequer foi por aí que foi mais fácil… Pode ter sido sorte. Porque podia ter ‘tado muito mais tempo a contactar produtores e não ter encontrado mas tive a sorte de nos contactos que fiz, indo a casa dos produtores ou recebendo instrumentais pela internet, encontrar sempre um ou outro que encaixava nas minhas ideias. Por exemplo, o da “Sereia Louca”, que era um beat muito específico e pró’ qual tinha muitas expectativas. Aconteceu porque encontrei o Ride por causa doutro projecto, ele perguntou se eu tava à procura de instrumentais, eu disse que estava. Expliquei o que queria e ele disse ‘olha acho que tenho uma coisa dentro desse género’. Mandou-me para casa passado uma hora, por email, e era o beat certo. Portanto, às vezes também é a sorte, sabes? ‘Tár sintonizado lá com as boas coincidências da vida. Mas como eu própria tenho um processo mais amadurecido e também me sinto mais no controle das coisas. Tenho uma noção mais clara do que vai resultar para mim… Que beats é que me estimulam para determinados temas, que beats que me ficam melhor e outros que me dão mais trabalho (risos) mas que me fazem evoluir… Também tenho mais noção, ouvindo um instrumental, do seu potêncial depois com aquilo misturado… Às vezes é uma questão também de experiência. É uma questão de sorte, de abertura e de relação com as pessoas, mas também de experiência.

Apesar de sabermos que a tua ligação ao rap e à música se rege pela palavra, o “Sereia Louca” surge-nos como um disco de ambiente e musicalidade mais vincada relativamente ao “Capicua”. Dexaste-te levar pela música?

Precisamente por ter um conceito mais coeso. O facto das temáticas estarem agrupadas em duas grandes linhas: uma sobre as mulheres e a água, outra sobre a passagem do tempo, a infância e a morte. E o facto de eu querer criar um ambiente que fosse muito marcado por esse conceito acabou por fazer com que a dimensão musical fosse muito importante para reforçar esse feeling. Também eu própria fui um pouco mais exigente com isso e tive a sorte de ter conseguido instrumentais de pessoas que têm muito talento. E depois o Zé Nando Pimenta que fez a gravação, a mistura e masterização, fez um trabalho muito bom a tornar o disco musicalmente mais interessante. Porque às vezes a mistura é determinante e o facto de termos mais condições para gravar instrumentos, por exemplo. Acrescentar guitarras, baixo, teclados do Miguel Ferreira, dos Clã, que foi muito generoso e contribuiu também para o disco. Esses imputs acabaram também por aumentar ali a qualidade musical do disco. No outro disco, oGhuna X, que gravou e misturou o disco, e eu e o D.One, que é o meu produtor e fez os arranjos, trabalhámos muito para conseguir que tivesse uma identidade e um bom som. Mas foi um trabalho mais caseiro no que tem de bom e mau, porque tem essa frescura e inocência de ser um primeiro disco feito por nós. Mas quando gravas num grande estúdio como é o Meifumado, com o Zé, que tem muita experiência a gravar músicos, que eu e o D não tínhamos tanto e o Ghuna X, é mais música electrónica. Acho que se acabou por notar esse upgrade. E também o facto de ter uma linguagem e um conceito mais definido acabou por unir também a coisa.

O que veio primeiro? A palavra ou o rap?

Primeiro foi a palavra. Eu gosto de escrever, desde pequenina. Quando era pequenina já fazia rimas, tinha sempre a melhor nota na redacção, escrevia para os colegas da escola primária. Sempre gostei de escrever. O rap foi um encontro feliz na minha adolescência. Eu envolvi-me com o grafitti e depois com a cultura hip hop, né? E descobri na minha tribo o veículo perfeito para aquilo que se calhar era uma vocação antiga. Mas acho que se não fosse o rap provavelmente ía ter de canalizar a minha escrita para outra coisa qualquer. Porque aquilo que eu gosto mesmo é de escrever. Mas gosto, sobretudo, de escrever para o rap. Porque acho que o rap tem uma exigência que é muito raro encontrar em qualquer outra escrita. Claro que se escrevesse romances tinha uma exigência grande. São exigências diferentes, na poesia, escrita jornalística, académica… Mas o rap, além de ter uma liberdade de pegar em qualquer tema, tem a exigência da métrica, do ritmo, dos jogos de palavras, ter rimas cada vez mais minuciosas, a questão de prender a atenção do ouvinte… São tanto desafios que aquilo se torna tipo um jogo para mim. E não é só isso: além de ser muito exigente tecnicamente, por outro lado, leva a minha escrita às pessoas de uma forma muito mais directa. O rap tem essa coisa – não é música de fundo, ‘tá a falar-te ao ouvido. Aliás, muitos rappers falam na segunda pessoa, falam para ti. Essa coisa sem intermediários faz com que a escrita chegue a qualquer pessoa de uma forma mesmo frontal, tipo, in your face. Eu acho que isso é um poder do caraças. Para além de que é o estilo de música que dá mais protagonismo à palavra e, portanto, tinha de ser esse.

As vozes que cantam no disco foram as que quiseste e as que tiveste?

Normalmente, quando convido alguém para uma música é porque a ideia para aquela música precisa daquela voz ou colaboração. Se não for preciso não vou convidar ninguém. Tenho essa visão utilitarista das coisas: quando tenho ideia para uma letra vou buscar o instrumental, que vai servir aquela ideia. Da mesma forma que vou buscar o sample, a voz ou a participação. Tudo tem de servir a ideia. Pude colaborar com a Aline e com a Gisela para aqueles dois temas e acho que elas cumpriram na perfeição. Para a Gisela, eu tive a ideia de pegar naquele refrão do Adriano Correia de Oliveira, como uma canção de embalar, assim triste mas muito singela, nada muito complicado. E a Gisela tem aquela voz super densa, intensa, cheia de emoção. Mas não inventa rodriguinhos, faz sempre a coisa de uma forma muito in your face, sabes? Esse equilíbrio entre uma coisa singela e uma coisa triste que ela conseguia alcançar na perfeição. No caso da Aline, lembrei-me de um poema do José Gomes Ferreira que gosto muito: “O Problema da Transformação do Mundo sem Lutos nem Cólera”. Que tem muito a ver com a minha letra e comecei a cantarolá-lo na minha cabeça. E pensei: isto é uma coisa meio soul dos anos oitenta, era engraçado alguém cantar aqui. E logo – claro, a Aline era a pessoa indicada. Porque queria fazer uma coisa soul mas que não tive esse cliché. Seria mais uma música de hip hop tuga com soul no refrão e eu queria uma coisa que soasse um bocadinho fora da caixa. A Aline tem essa frescura. Aquilo que ‘tá na música é um take do princípio ao fim, não foi editado. Não foi o primeiro. Foi praí’ o segundo ou o terceiro. Mas quando eu e o Zé Nando ouvimos aquilo dissemos: ‘já não vamos mexer, vai ficar assim’. É aquela emoção dela, a entrega, aquela coisa intuitiva que ela tem.

Há dois anos, tinha acabado de sair o “Capicua”, disseste-nos que uma das razões do seu sucesso era o “exotismo” aos olhos da industria e dos media, por seres mulher e rapper. Ainda é assim?

É, eu acho que sim. É, mas. Não vou retirar mérito ao meu trabalho. Claro que num primeiro momento o exotismo faz com as pessoas tenham mais curiosidade em entrevistar-me ou em ouvir o disco. O facto de sair da ideia pré-formatada que as pessoas têm de rapper acaba por criar esse interesse ou essa curiosidade inicial. Mas, não é essa a razão do sucesso, a razão é o mérito do meu trabalho. Não vou ‘tár agora com falsa modéstia. Mesmo sendo mulher, se o trabalho não tivesse qualidade, as pessoas podiam ir ouvir mas deixavam passado cinco minutos. Portanto, a razão da curiosidade, desse interesse acrescido e se calhar, de alguma visibilidade, é esse exotismo. Mas o mérito ninguém mo tira.

Ao ouvir-te, é fácil perceber que és uma pessoa consciente tanto política como socialmente. Ao mesmo tempo, continuando a ouvir-te, também não é difícil constatar que és optimista e tens atitude positiva. Como é que geres isso?

Porque… “pior que o meu canto há-de ser o meu silêncio”. No sentido em que enquanto eu me queixar, enquanto falar e expressar as minha opiniões, é sinal que não desisti. No dia em que eu me calar é porque desisti e isso vai ser pior, não é? Eu para acreditar que a minha palavra tem poder, tal como a tua palavra tem poder, as nossas acções têm poder… Nesse sentido sou uma optimista. Porque sei que mesmo estando consciente das coisas más eu posso contribuir para a mudança. Prefiro concentrar-me em ver o copo meio cheio e sentir que tenho alguma coisa a fazer. E utilizar a música no meu caso. Dedicar-me a fazer as pessoas pensar, inspirar para que tenham uma perspectiva positiva em relação às suas vidas. Mudar algumas mentalidades ou alertar para alguns problemas e questionar aquilo que é aparentemente natural sobre a cultura, política ou história. Há muito espaço prá’ gente intervir  e mudar as coisas. Eu só faço rap: primeiro, porque gosto muito de palavras e, depois, por esse optimismo de sentir que é um contributo. Isto de um ponto de vista altruísta mas de um ponto de vista mais egoísta. Para mim, é terapêutico transformar essas coisas que me preocupam em música. Porque também faz com que as coisas más se transformem em pequenos tesourinhos que vou gravando e que para mim são conquistas. Portanto, vou gerindo o optimismo nessas duas metades: no altruísmo e no egoísmo de a música me fazer bem a mim e de eu achar que ela faz bem ao mundo.

Já atiraste umas pedras da calçada?

Não atirei pedras da calçada, mas ‘tava nessa manifestação em que houve a carga policial em São Bento. Escrevi essa música por causa dessa manifestação em Outubro do ano passado. Em que houve uma carga policial bastante agressiva e despropositada. E também por que tive em Évora para um concerto em Setembro e senti que as pessoas estavam muito tristes… No Porto e em Lisboa as pessoas também ‘tão muito tristes mas temos, apesar de tudo, mais coisas que nos vão distraindo. E há um Portugal inteiro que ‘tá muito deprimido. Já me tinha confrontado com a crise e com amigos que emigraram e com os problemas que ‘tão todos os dias na televisão e nos jornais. Mas esta depressão colectiva foi o que me assustou mais e essa música, “Pedras da Calçada”, fala sobre isso. O pior nem é a crise. É a utopia, não termos um rumo para o futuro. Não ter esperança. Quando a gente já não se queixa e fica só o silêncio é pior. Eu senti esse silêncio e isso é o que me assusta.

Como defines a força do rap enquanto veículo de consciencialização?

É um veículo muito forte, por várias razões. Uma: fala a línguagem das pessoas, que os políticos, os ciêntistas sociais e os comentadores não falam. ‘Tá codificada. O rap, inclusivé, pega no calão e na línguagem dos bairros e leva a matéria prima para a criação artística, o que é uma cena bué poderosa e revolucionária. Número dois: fala para as pessoas ao ouvido delas. Tem essa coisa de invadir o espaço das pessoas quase sem ser convidado, e de emocionar, o que ainda acrescenta mais poder às palavras. E depois há a questão de falar para um público jovem, pouco politizado, e que encontra no rap o espaço de quase o único estímulo para pensar os temas sociais e políticos. E também, por via das margens e de falar das realidades menos visíveis dos bairros, da juventude, das zonas da cidade… o rap conta histórias que a grande história não conta. É quase como fazer a reportagem daquilo que é o quotidiano das pessoas nesses contextos. Por todas essas razões: pela línguagem, identificação e emoção… pelo privilégio e protagonismo que dá à palavra – a palavra é o centro da música e veícula-se muita informação a partir daí – o rap tem um poder do caraças! De consciencialização, de fazer pensar, espalhar informação, de ser referência política/ideológica para muitas pessoas e, sobretudo, para os jovens. Há muitas referências. Por exemplo, o Valete, dá muitas referências de escritores, de outros músicos, e um puto de quinze anos que gosta muito do Valete depois pergunta ‘quem é este gajo que ele ‘tá a falar?’… Pronto, o Che Guevara é mais conhecido mas, ‘quem é o Pepetela?’. E vai procurar. Mesmo que vá à wikipedia já foi mega bonús, ele agora vai saber quem é o Pepetela, ‘tas a ver? Isto é espalhar informação. Isto é educar as pessoas. Há muitos putos que só têm como educador a música que ouvem e se ouvirem música de merda vamos perder uma oportunidade do caraças para influenciar essas pessoas de uma forma positiva. É por isso que eu digo: é uma grande responsabilidade ter o microphone na mão.

Para os teus/tuas fãs: um filme, um livro e um disco que te tenham marcado.

Um dos discos que mais me marcou até hoje foi o “Miseducation of Lauren Hill”. Marcou a minha adolescência e foi uma referência para mim dentro do hip hop feito por uma mulher. Não só pelas temáticas, mas pela atitude dela, pela mentalidade. É um granda disco. Pá, o meu livro favorito é o Cem Anos de Solidão, que foi prémio nobel no ano em que eu nasci (1982). Podia-te dizer muitos livros que gosto mas vou dizer esse, que é um clássico da literatura e é, mesmo, insuperável. Filme… Qualquer filme do Wes Anderson. E estreou ontem um novo que quero muito ver que é “O Grande Hotel de Budapeste”, ‘tou super curiosa. O último filme que vi dele foi o “Moonrise Kingdom” e gostei muito. Ele tem a mesma paranóia que eu tenho com a simetria e de contar histórias de amor de uma forma muito engraçada e simples.

Sereia Louca é um novo aka da Ana e da Capicua?
“Sereia Louca” é uma história que eu contei. Eu não sou a sereia. Há pessoas que agora me chamam sereia e até no outro dia me chamaram peixinha no facebook. Mas a sereia louca não sou eu. Sou eu no sentido em que lhe dei vida e em algumas coisas que me identifico com essa história. Da mesma forma que eu não sou a “Mulher do Cacilheiro”. Quer dizer, eu calcei os sapatos delas. Experimentando essas emoções ao contar as histórias delas. Mas eu não sou a “Sereia Louca”. Sou a Capicua ou a Ana. E sou “Maria Capaz” quando faço rap competitivo (risos).