O punk tem muitas formas e está sempre ao desejo dos homens. A frase até é da minha autoria, mas bem que poderia ser dos Botswana. Este super-grupo do Porto inaugurou-se no discos da melhor forma e mostrou que “OU” é um estilo de vida. Confusos? Já lá vamos.

Todos vêm com a lição bem estudada: João Pimenta (percussão) com o seu passado espelhado nos trabalhos dos ALTO! Green Machine, Sofia Magalhães (baixo) vem da escola dos CrisisIgor Domingues Marco Castro (bateria e guitarra, respectivamente) formam o power-duo Throes e João Chaves (teclas) anda a ser catapultado para as atenções nacionais, no seu projecto Dreams. Em Botswana, todos cantam, mas são Pimenta Magalhães que vêm as suas vozes em destaque, para o bem e para o mal. Neste caso, para o bem: em The Story of Vlad, o contraponto voz masculina com feminina consegue criar mais intensidade ao tema, num cuspe visceral de raiva e entrega.

Os temas querem-se com a cartilha do punk: curtinhos, certeiros e aos pontapés, distorção à vontade do senhor, baterias a tempo e a arranharem o ouvido, efeitos nos vocais, e muita, muita vontade de fazer estardalhaço. As guitarras sujinhas, carregadas de reverb, também são de salientar – é que não há, como se podia esperar pelo histórico destes senhores, grandes falhas a nível técnico, como, todavia, seria normal num disco de estreia. Há, sim, muita vontade de fazer mais, ou não fosse este EP uma amostra de cinco temas, que, sejamos francos, ainda é pouco.

Ainda assim, Attila Atlas cumpre o objectivo, com melodias catchy, que ganham toda uma nova intensidade quando apresentadas ao vivo, em muito por causa da secção rítmica dos BotswanaI Am Masada, You Are Yoko é um desses exemplos, com umrock’n’roll latente, que quase nos faz suspirar pelos tempos em que ouvíamos os Vicious Five, homens de barba rija, por esse Portugal fora. Importa ressalvar, igualmente, o papel discreto dos teclados de João Chaves. É que nem sempre parecem estar lá, mas, em concerto, conferem uma característica melódica muito interessante aos temas.

We Are The Ramadans é, talvez, o tema que nos entra à primeira, com a receita do baixo e das guitarras a encaixar na perfeição com os restantes ingredientes. Também nesta canção, tal como na anterior, há aquele mistério do “OU”, gritado a plenos pulmões. Na verdade, isso é o nome da editora, fundada por Pimenta e que edita este disco.

Para o fim, guarda-se Dead By A Thousand Dull Conversations, pintada em tons degarage rock e exponenciada pelo ritmo frenético – característica da banda, de resto – dos instrumentos. Em suma, um início auspicioso, que nos deixa com vontade de rezar ao senhor das coisas boas: que nos traga mais coisas assim em 2012.