Os Boris são um corpo indefinido. A forma que o trio nipónico assume de disco para disco é imprevisível e uma incógnita. Em 2011, a banda de Statement fez, bem, um statement com dois discos – um visivelmente orientado para o músculo que a guitarra de Wata tem, outra para a sua cândida feminilidade. Surpreendentemente, Präparat, em convergência com Heavy Rocks e Attention Please, consegue desenhar músicas de uma sensibilidade embevecedora, sem esquecer o peso que sempre marcou os caminhos de Boris. Os tempos da j-pop, contudo, já eram.

December, à laia de prólogo, deixa antever que Präparat não é um disco só de curvar espinhas, mas sim para se ouvir de olhos fechados, a abraçar as vontades melódicas do post-rock sem prestar vassalagem à sua estrutura previsível e, cada vez mais datada. É, por isso, em Elegy que este cruzamento da vida recente dos Boris se torna evidente, uma música à medida do que as incríveis Aileron e Missing Pieces deixavam a desejar que fosse o futuro dos japoneses.

Nem tudo nos Boris é, contudo, belo. Method of Error mostra que as suas incursões mais drone, com uma lentidão calculada e quebrada por baterias irrepetíveis, ainda conseguem quebrar costas, assim como Bataille Suere se insurge como um pontapé nos queixos, como acontecia com as riffarias mais típicas da banda.

O que são os Boris é uma não-questão. Os Boris, quais divindades do rock, são tudo. São um pedaço do Japão em que cabe todas as facetas de uma cultura pródiga em fazer tudo bem. É essa a realidade do trio, ainda – o toque de midas não se perdeu e, o que foi tocado em Präparat, é ouro. Se este disco é o melhor ou o pior dos Boris? Só depende de que aspectos da banda é que conseguem apreciar. Certo é que este disco é um espelho do que são os nipónicos.