Antes de mais, o título. “Stench Of Exist” chuta-nos para o espectro da finitude, do cheiro a morte e da interna decomposição sucessiva a que comummente chamamos existência. Boduf Songs, esforço solitário de Mat Sweet lançado ao cultivo desde 2004, tem grainhas de angústia, câmaras de exílio, retiros de prostração. O que, nos cantos sublinhados pela Kranky, se resumiria a louvores silentes de guitarra acústica tomou contornos maiores; do trigo enjeitado à filigrana sumptuosa; do trapo unplugged ao tear electrónico.

“Stench Of Exist”, nunca se libertando do odor a carne mastigada pelo tempo, veste-se para o enterro não de preto, mas de vivas cores. Talvez seja essa a maior diferença se à memória chamarmos trabalhos anteriores. O croon profundo – Sweetparece descer uma oitava a cada ruga – enrodilha-se em acordes subtis, pianos que às costas oferecem descanso na melancolia e field recordings encasacados de ectoplasma. É música de capuz secreto, olhos vendados pelo escuro; e os seis belíssimos minutos de “Great Anthem Of My Youth” são o que Trent Reznor deixou cair algures no tempo e já não reencontra gaveta após gaveta, recanto após recanto.