O Santiago Alquimista encheu na noite de 11 de Abril para receber os Blood Red Shoes no seu regresso a Portugal. Foi uma noite quente, onde se viveu e reviveu a  adolescência com refrões vociferados em coro e saltos até não haver mais energia.

A primeira parte do concerto ficou a cargo dos portugueses The Fox. Os rapazes de Torres Vedras aproveitaram a ocasião para apresentar o seu álbum Hunting Grounds, iniciando o concerto com a apropriada Opening Time. Passando os instrumentos por quase todo o alinhamento do seu longa duração de estreia, fizeram o público bater o pé ao som de Pulse of The loners ou One More Dance, numa cadência quase melancólica que lembra The Strokes.

Quem esteve atento ao concerto surpreendeu-se ao olhar para a sala no final: é que se o trio começou a tocar para um Santiago Alquimista a meio gás, fazendo temer por momentos que a sala não chegasse a encher, no final do concerto o público tinha triplicado, preenchendo o espaço dos dois pisos da sala lisboeta.

E estava assim tudo a postos para receber os Blood Red Shoes. Muitos foram os que não arredaram pé da fila da frente desde o início da noite para poder ver de perto Laura-Mary Carter e Steven Ansell. Era sobretudo nas caras desses que se via a ansiedade à medida que a bateria e o microfone iam sendo montados, denunciando os lugares que ocuparia a simpática dupla. E foi também por iniciativa destes que se chamou o nome da banda em coro, durante os vários minutos que antecederam a sua subida ao palco, aumentando cada vez mais a tensão.

Mas não se pense por isso que a entrada da banda na sala foi feita de forma épica, antes pelo contrário. Laura-Mary e Steven são dois jovens muito simples que chegaram ali com um sorriso envergonhado e conseguiram assim cativar o público que se sentiu como se estivesse numa festa em sua casa.

O concerto foi crescendo à medida que Laura-Mary se soltava. Quase escondida atrás da sua guitarra, a menina bonita  mal se ouve quando se aproxima do microfone para falar entre as músicas. É Steven, na sua bateria, quem puxa pelo público (e também por Laura, sorrindo para ela como quem diz que está tudo bem), sempre bem disposto e brincalhão, ora perguntando se a parte de trás da sua cabeça é bonita aos que viam o concerto acima dele, no primeiro piso da sala, ora falando de como era sempre bem recebido em Portugal, mostrando-se contente por estar de regresso à sala que os viu pela primeira vez em território nacional.

Mas não é só a presença da banda que cativa, o segredo está, em grande medida, no potencial das suas canções. As melodias e as baterias oscilam entre momentos mais enérgicos e outros mais sentimentais, misturando uma alegria nostálgica com uma certa tristeza e, talvez, despreocupação herdada do punk, às quais acrescem uns refrões bastante orelhudos. Ora esta fórmula tem vários bons resultados: toda a gente canta, toda a gente dança e se a sala estava cheia todas as músicas foram transpiradas de forma colectiva. Quem já não se lembrava desta mistura de sentimentos da adolescência, pôde ali lembrar qualquer coisa parecida ao som de It’s Getting Boring by The Sea, com que iniciaram o concerto, ou de Light it Up, single do seu mais recente trabalho Fire Like This.

O alinhamento foi dividido equilibradamente entre os dois álbuns da banda. De Box of Secrets, ouviu-se This is Not For youYou Bring me DownSay Something Say Something e I Wish I Was Someone BetterFire Like This, em apresentação pela primeira vez em Portugal desde a sua edição, surpreendeu pela intensidade com que resultam músicas como It’s Happening Again ou Don’t Don’t Ask.

Entre ameaças de invasão de palco por parte do público, depois de um pedido de aproximação do baterista e uma troca de posições dos membros da banda para a instrumental Surf Song, o concerto decorreu de forma equilibrada.

De regresso ao palco depois da interrupção da praxe, o álbum Fire Like This conseguiu ainda proporcionar um dos momentos mais intensos da noite com a música que anunciou o final do concerto Colors Fade. Uma despedida em grande, para um grande concerto.