Attitude – you either have it or you don’t. Os Blind To Faith têm sobranceria quanto baste para jamais se marimbarem com a crítica alheia. Baluartes do hardcore em puro ponto, exclusivamente infectado pelas obscenas vísceras do metal old school, os belgas,since 2008, cospem antipatia. Ferroam ódio. Os meios a que recorrem, de tão primários e petulantemente roubados, não poderiam ser outros.

“The Seven Fat Years Are Over”, longa-duração à indiferença solto faz agora três anos, evidenciou (uma vez mais) que o santificado terrorismo de Dwid Hellion tem estirpe europeia. Iconografia Integrity-esque, riff metálico (Vince, o guitarrista, é baixo em Rise And Fall) e pulsação punk. Os atributos subsistem em “Under The Heptagram”, com a agravante certeira: arrojada produção. Não mais nos fazendo crer que gravaram malhas nalgum esgoto encardido do Benelux, os Blind To Faith escarram onze crus minutos, sem vestígio algum de originalidade. E, atenção, isto constitui elogio.

Para quê a vanguarda, se os Entombed já minaram o terreno? A introdução deste EP cavalga, atira e fala a verdade sob o idioma “Wolverine Blues” – maldito groove que impele ao hatemoshdesnorteado e rancoroso. Só ao final de cinco minutos, já o tema homónimo se desenrola, ouvimos os berros afiados de Stijn, que permanece tão simpático quanto o amigo Stéphen dos Kickback. Sublinhe-se a ironia. Por esta altura, também os Celtic Frost sofreram novo assalto ao mausoléu de “To Mega Therion” – guitarras vilipendiadas, cofre arrombado. O último capítulo, uma “Burial Of Mankind” feita da mesma argamassa, encerra como osCraft apreciam: tum-pa tum-pa black metal, de heptagrama no peito e vénia a satã.

Que gatunem tudo. No porco submundo onde existem, no rés-do-chão da Church Of Ra (vale a pena dizer que Colindos Amenra já desta banda foi baixista), aos Blind To Faith nunca lhes será suplicada criatividade. Apenas atitude.