Os Black Tusk são uma daquelas bandas que, apesar das suas proeminentes barbas e do seu amor por “big fat joints”, preferem uma abordagem rápida ao stoner/sludge. Não é de admirar: eles são da cidade de Savannah, no Estado americano da Geórgia, de onde provêm nomes como os Kylesa, os Mastodon ou os Baroness. Tudo gente que estudou a lição de Matt Pike nos High On Fire e, a partir dela, construiu sólidas carreiras.

Ora, este novo disco dos Black Tusk não foge a essa tradição. Os riffs galopantes e low tuned são o pilar fundamental das composições, riffs esses que transportam quase sempre consigo uma cativante sensação de lentidão, criada pelo vagaroso groove sulista da banda. Ao contrário de uns Black Cobra, que não deixam dúvidas assim que metem o pé no acelerador, os Black Tusk são uma espécie de caracol alado. Temos vontade de abanar a cabeça, mas não sentimos a vertigem da velocidade, já que a densa espiral do sludge acaba por se grudar no nosso campo auditivo. Outra característica a salientar é o facto de os três membros dos Black Tusk contribuírem de igual forma para as vozes, fazendo recordar os Mastodon nesse capítulo.

Set The Dial é um disco totalmente coerente com a restante carreira destes americanos e proporciona pouco mais de meia hora daquilo que já é possível encontrar nos outros dois álbuns da banda. Uma meia hora bem passada, mas que nem por isso se revela marcante.