Longe vão os tempos em que ouvíamos Robert Levon Been e Peter Hayes questionar o que tinha acontecido ao Rock’n’Roll. Há mais de uma década, quando os escutávamos, a resposta imediata à pergunta ‘Whatever happened to our rock’n’roll?’, poderia ser dirigida aos próprios e, seria possível encarar os Black Rebel Motorcycle Club como os salvadores de um rock de cariz mais suave mas igualmente carismático. Volvidos quase treze anos, é possível sentir-se um defraudar das expectativas e considerar que acabaram por não ser eles que realmente o salvaram. Mas não sejamos injustos, os americanos trouxeram-nos outras coisas com os seus temas.

Depois do homónimo e de Take Them On, On Your Own, os BRMC pareciam também eles cansados do tal Rock’n’Roll e prontos a romper com a estrutura clássica do mesmo, incorporando novos elementos. Howl foi a prova dessa insatisfação para com o estilo que queriam salvar. Verdade seja dita, todas estas novas componentes a roçar o folk e o country se tornaram, mais ou menos escondidas, como uma pertença intrínseca às malhas da banda. Ao terceiro álbum, pareciam ainda não ser capazes de incorporar na perfeição estes recentes ambientes, com o instrumental a rasar o estridente que os tinha caracterizado. Seja-se sincero, a acústica em Howl é perfeita. Contudo, foi com o sexto registo Beat the Devil’s Tattoo que mostraram que era possível congregar em algo uno todo este universo sonoro.

Se do terceiro longa-duração até ao sexto se sentiu que estavam errantes e que a sua operacionalidade estava perdida com os menores Baby 81 e The Effects of 333, Beat the Devil’s Tattoo veio trazer uma banda fresca, reencontrada e novamente única. Sentia-se outra vez esperança e crença neste trio.

De toda esta história deriva a grande crítica que poderá ser direccionada a Specter at the Feast. Já não nos surpreende, e a esperança, entretanto renovada, já se desvaneceu com a passagem do tempo, não sendo este disco capaz de nos motivar a encontrá-la de novo. Sente-se que não existe, desta feita, uma boa contextualização entre as toadas mais directas e as mais suaves. Em todos os lançamentos, sempre se testemunhou esta jogada pensada e bem delineada. Assim, nota-se que não foi criada uma ligação entre as várias dinâmicas, como se constata quando se sucede de um tema ríspido como Teenage Disease, para um tema a roçar a balada desengonçada de Some Kind of Ghost, ou o espiritual fajuto de Sometimes the Light. Questiona-se por onde andam o baixo corrompido e a guitarra avolumada. Perdidos, é certo.

Custa, custa muito dizer, mas Specter at the Feast tem momentos muito aborrecidos, bailando entre o entusiasmante e o entediante. Pena é que esta última vertente seja a que mais se encontra numa audição completa do mesmo. Não perderam a capacidade para fazer grandes canções. Longe disso, serão sempre bons compositores, mas perdoemos-lhes não terem estado, desta vez, à altura. Que daqui por anos com um novo disco, volte a vontade de bater incessantemente no solo com as capas das desgastadas botas de cabedal.