Portugal foi, finalmente, agraciado com a presença de Black Mountain e, apesar da icónica sala do MusicBox não abafar o cunho retro dos canadianos, gostaria de os ver novamente nestas paragens lusas num panorama mais merecido da sua génese como um Reverence Valada ou um SonicBlast (fica a dica).

Quem participou no throwback aos 70s no passado dia 28 de Março, já sabia que a banda vinha apresentar o seu novo álbum, “IV”. Talvez o nome escolhido seja uma homenagem ao “Vol.4” de Black Sabbath mas, comparações aparte, o que é facto é que valeu a pena esperar que este hiatos terminasse para voltar a ouvir a mestria psicadélica que só Black Mountain consegue proporcionar no século XXI.

Há quem os oiça para relembrar os bons velhos tempos do que muitos apelidam ser a melhor década musical mas “IV” não é uma mera reminiscência, é também prova de que Black Mountain consegue destacar-se e vingar num mercado musical que olha cada vez mais para o passado com saudade e menos desdém.

É importante, diria mesmo crucial, não cair no erro de chamar a esta banda um déjà vu porque a verdade é que não o são e este novo álbum demonstra as capacidades camaleónicas do grupo em ultrapassar os cânones do passado. A abrir a noite, “Mother Of The Sun” mostra exactamente isso: uma capacidade de homenagear o psych e stoner rock com conotações retro fuzz que remontam ao Woodstock onde poderiam tocar ao lado de Jefferson Airplane em ’69 mas que, simultaneamente, transpira uma contemporaneidade vintage.

IV”mostra que o grupo não se deixa estereotipar e eleva o seu potencial misturando diversos estilos onde Amber Webber nos delicia com a sua voz melancólica enquanto os sintetizadores analógicos nos embalam numa “Magic Pillow” retro futurista. Se as fadas usam botas como Ozzy Osbourne afincadamente diz, tenho a certeza que elas acompanham Black Mountain na tour que escolheu o nosso cantinho à beira mar como ponto de partida.