Há nestes três tipos aquela gana de pertencer a lugar nenhum. Chega dessa eucarística lenga-lenga de os vincular ao Minho, ao Cávado, aqui, ali, acolá, a um Portugal meio desbotado, meio pálido, meio anémico, meio defunto. Os Black Bombaim andam-nos a apontar o céu, mas há quem teime em olhar para o dedo.

“Far Out”, como o nome preconiza, foge para bem longe das conformadas melancolias e dos suspiros míopes de quem tem vistas curtas. Atira-nos até uma “Africa II” que não vem no planisfério: nesta, mora a epiderme lunar de Rodrigo Amado, que regressa a fim de dar outro fôlego à cárnea orquestra que em “Marraquexe” instalou. O saxofone é chauffeur de uma peregrinação sensorial, apetrecho que do corpo nos arranca os espinhos quotidianos e nos dá leveza quanto baste para enfiarmos o espírito numa acatalepsia bonita e despreocupada. Deve ser a isto que chamam space rock.

Que nem vaporosos beduínos, guarnecidos de um baixo obediente à irregularidade desértica e de uma guitarra cuja bússola há muito foi perdida ali para lados de onde mora gente, os Black Bombaiacabam nos entrefolhos da “Arabia”, circundados pelo sideral enxame de The Astroboy – pedagogo no sintetizador volúvel, que esparsamente vai borrifando o final de disco. Ele até nós caminha num vagar de escorpião; lento e certeiro.