Parcas são as chances de testemunharmos, “in loco”, uma banda da qual temos a forte sensação de que se tornará uma referência do punk hardcore moderno. Acolhidos já sob o indelével tecto da Deathwish Inc., o crucial despontar foi feito em Setembro atravésYou, Me & The Violence, disco que fez circular o nome Birds In Row pelos mais variados recantos onde a melodia embrenhada no caos e rispidez é estimada.

Foram eles, os Birds In Row, que se assomaram no exíguo palco do Clube Recreativo dos Anjos para uma actuação que transpirou os predicados que já em disco conhecemos. Cabalmente sinceros e inegavelmente crus na sua entrega, os gauleses dispensam gimmicks e frases feitas, deixando que os seus temas respirem e ganhem uma intensidade claramente exponenciada por um público que com eles esteve, olhos nos olhos, a cada berro, a cada riff. Quem entrasse naquela sala, durante os cerca de trinta minutos de actuação, dificilmente destrinçaria a indistinta massa composta por banda e plateia e isso é, talvez, o melhor elogio que se pode lançar a um concerto destes.

Se, ainda assim, o início se mostrou titubeante fruto de alguns problemas de som, o encerrar da cortina da passagem dos Birds In Row por Lisboa foi memoravelmente intensa – e, curiosamente, foram Word of Astaroth e A Kid Called Dreamer, temas do seu EPCottbus, a despontar a maior razia de stage dives, bem como um incessante assalto ao microfone de Bart Hirigoyen. Eles, os Birds In Row, dizem que esta dupla investida a terras nacionais se transcreveu nos seus melhores concertos até ao momento. Não duvidamos.

A tarde de domingo não se contou somente a partir de França. Por cá, também temos Birds, e foram eles a inaugurar uma matiné onde ao seu dark hardcore se lhe seguiu o neocrust dos Arson. O primeiro grande tumulto surgiria com uns cada vez mais afirmados Revengeance, que com base na sua afinadíssima máquina powerviolence atropelam sem rodeios qualquer que seja a plateia. “Mexam-se caralho!” – e as gentes mexeram-se sem receios, principalmente quando ao baú das memórias foram resgatar Where’s The Unity dos Infest e Ready To Fight dosNegative Approach.

Outros que começam a já dispensar apresentações são os A Thousand Words. O EP Sinners parece por completo se ter entranhado no subsolo do hardcore português e temas como Blindou Cursed são motivos mais do que suficientes para combater o estaticismo. Pelo meio, pareceu escutar-se um tema novo; pelo fim,Absentee Debate dos Unbroken.