Com a República da Música a meio gás em termos de público, duas bandas portuguesas, mas que pouco tocam em Portugal, uniram-se para a realização de um evento em que se podia deparar de forma diferente com dois estilos e abordagens da música extrema. Uma noite destas merecia uma maior receptividade numérica.

Prestes a completar 14 anos de existência, os Corpus Christiiutilizaram esta data para uma espécie de apresentação do mais recente álbum, Luciferian Frequencies e também para uma noite de recordação de temas mais antigos. A última vez que vi Corpus Christii remonta a alguns anos atrás, num entretanto extinto bar em Cacilhas. Lembro-me de o concerto começar com uma faixa de pura destruição, All Hail (Master Satan). Alguns anos passaram e noto que actualmente a devastação que a banda coloca nos seus concertos está cada vez melhor oleada. Uma pura máquina de guerra.

Cada vez menos presente em solo nacional, ouvir um repertório que completa o passado com The Fire God e o presente comCrystal Glaze Foundation ou The Owl Ressurection, tornou a noite ainda mais especial. Notou-se sobretudo um maior alcance da voz, em que partes cantadas jogam com vozes rasgadas, mantendo-se toda a ira e devastação tão característicos dos concertos da banda. Uma nova dimensão portanto. Ámen!

Os Before the Rain aproveitaram este concerto para fazer a única apresentação de Frail em solo luso. Com uma envolvência completamente diferente, a agressividade anteriormente detonada pelos Corpus Christii foi substituída por uma vertente de cariz mais melódico.

Utilizando De Profundis dos Dead Can Dance como intro para o que se iria seguir, o concerto dos setubalenses foi um misto de diversificados momentos. Tanto em álbum como ao vivo, sinto que o som muitas vezes se dispersa e perde algum imediatismo. Quando conseguiram traduzir e intercalar a componente mais melódica com a mais pesada, foram realmente bons, mas por vezes a extrema duração de alguns momentos fez com que se perdesse o interesse.

Terminada a contenda, foi possível compreender o porquê de duas bandas com sonoridades diferentes se juntarem no mesmo evento, respondendo e justificando àquilo que foi referido como uma possível limitação mental.