Há pouco mais de cinco anos atrás, a ideia de ouvir nova música dos Autopsy era essencialmente fantasiosa. Hoje, não só já é realidade há algum tempo, como a novidade da reunião se esbateu: são uma banda activa como qualquer outra, ainda que com um passado mais brilhante e influente que a maioria. “Tourniquets, Hacksaws And Graves”, o terceiro álbum desde o regresso, dá então continuação à boa forma dos últimos anos.

Desde que regressaram às actividades, a principal diferença no som da banda reside na produção mais moderna. Aquilo que poderia ser um obstáculo à típica podridão da banda, tem sido apenas um veículo mais moderna para transportar a mensagem, não alterando qualquer das características da mesma. Em “Tourniquets, Hacksaws And Graves” temos então o típico death metal à Autopsy, seja na sua encarnação mais selvática e rápida, logo presente na apropriadamente intitulada “Savagery”, ou no chafurdar podre por toadas bem mais arrastadas, como se vislumbra em “King Of Flesh Ripped” e sobretudo em “Burial”. Em termos individuais, Cutler e Coralles continuam a sacar grandes riffs, como atesta o enorme tema título do álbum, mas o grande destaque tem que ir para Chris Reifert (o que não deve ser surpreendente para absolutamente ninguém) pelas razões do costume: excelente trabalho atrás da bateria e sobretudo pela voz, seguramente uma das mais impressionantes no género.

Muitas vezes criticamos bandas por manterem a sua sonoridade demasiado constante e por esse ponto de vista, “Tourniquets (…)” seria facilmente criticável. Mas nem todas as bandas se querem a envergar por caminhos que lhes são estranhos e os Autopsy são um desses casos. Há mais de vinte anos, ajudaram a criar o género (subsequentemente influenciando uma enorme quantidade de bandas), faz algum sentido exigir-lhes que o façam outra vez? Passado este tempo todo, terminam o seu sétimo álbum com um tema chamado “Autopsy”, que faz perfeitamente jus ao nome da banda e respira death metal old school por todos os poros. Fazem-no num álbum que perfeitamente capaz ser mencionado junto do resto da ilustre discografia da banda e por esta altura do campeonato dificilmente poderemos encontrar elogio maior.