Ainda que se escondam por detrás de uma enorme parafernália de instrumentos de uma orgânica quase manifesta, os Autechre são, sem sombra de dúvidas, uma das bandas electrónicas mais misteriosas que alguma vez poderemos ouvir. O seu som, todo analógico ou, quando digital, programado pelos próprios, desdobra-se em camadas ponderadas ao pormenor e cujo desígnio passava por mexer corpos. Exai muda, contudo, o alvo: do físico para o psicológico.

Com a matemática a tomar conta da psicologia, a dupla britânica exala em Exai o som que caracterizava mais o lado de Aphex Twin que é a barricada do IDM, em que a melodia é subordinada pelo ritmo, surgindo ao de leve entre texturas modeladas. Isto não quer dizer que o novo tento de Autechre esteja, contudo, despido de melodia, nem tampouco da cor que esta dá à música, mas que o seu papel é essencialmente psicotrópico, surgindo como o elemento orgânico na música computorizada e processada, como uma miragem destorcida daquilo que é, na verdade, o oposto da sua música, encontrando em Irlite.

As próprias cadências do disco são quebradas com o cruzar de andamentos, como se nota na faixa de abertura Fleure ou, mais adiante, em Flep. De fora não ficaram, também, momentos a lembrar os clássicos Tri Repetae ou EP7, que encontram o seu lugar nas faixas mais longas Cloudline e Bladelores.

Exai, mais visual e estrategicamente desenhado, é mais um teste de QI em que os Autechre, uma vez mais, passam com distinção. O problema dele encontra-se, contudo, na sua inteligibilidade, visto que é um álbum de absorção francamente mais difícil. Trocando a linguagem computacional por miúdos, estranha-se mas lá se entranha. Deus abençoe a linguagem Chomksy.