Aspen, montanhas, doom. É uma associação fácil, directa e eficaz. Vamos retê-la para perceber porque é que o trio barcelense gosta de monólitos e porque é que não faz música de proporções menores do que o maior aglomerado de pedra que se pode encontrar. No final, podem ficar já a saber, concluir-se-á que a banda minhota é demasiado rock para ser definida com a sonoridade de uma só pedra. O melhor é partirmos do princípio que se trata de um minério, daqueles que se encontram nos confins das serras mais perigosas – é a melhor maneira de tapar o buraco que as nomenclaturistas da música deixaram ao descoberto com a inexistência de um género “mountain”.

As músicas dos Aspen, ao contrário do que é habitual nos seus pares do doom, não se desenvolvem de riff em riff, mas antes de andamento em andamento; com cada parte à sua velocidade, a banda percorreu o seu registo de estreia, depois de dois anos de estrada, para um Armazém do Chá bem preenchido e cheio de vontade de mandar umas cabeçadas no ar. Não podiam ter ido para melhor festa, visto que, mesmo com a mão sempre na caixa de velocidades, os Aspen têm um denominador comum no roncar do seu motor: a combustão a carburar peso, notas graves e, em contraste, melodias gritantes, que vão surgindo com o aumento das velocidades.

E se, enquanto Winds of Revenge descompunha os presentes com as suas velocidades absurdades, as brisas mais calmas não se revelavam menos perigosas, graças à adição de um teclado durante o concerto, que dava às fases de verdadeiros arrasto, com duas notas por minuto (talvez um pouco mais, vá), uma ambiência tenebrosa, fria e negra.

Andam no pico do doom, do post-rock e ainda vislubram um stoner no horizonte; os Aspen são uns verdadeiros alpinistas, sem medo de saltar de montanha em montanha enquanto isso representar fazer música de proporções gigantescas, e isso pôde ver-se no concerto de apresentação do EP de estreia, na quinta-feira, dia 10 de Novembro. Se é de cabecear que estamos à procura, a solução mora mesmo aqui ao lado.

A fechar a noite, e sempre a abrir com o seu punk verdadeiramente ilimitado, estiveram os Larkin que, como mandam os seus bons costumes, não fazem nada por menos de um bom pedaço bem passado, com festa em palco e, se possível, festa no público. Se não for possível, o vocalista Nuno Teles concretiza-o, como sempre. Inevitabilidades que não custam nada e sabem sempre bem, em mais uma volta pelo álbum Elements To Our Desires.