Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és. No caso destes Ash Borer, já correram os Estados Unidos de canto a canto com bandas como Woe e Fell Voices. Quem são eles, então? Uns rapazes oriundos da fértil California, e uma das bandas mais promissoras da cena US black metal, claro.

Depois de duas demos e um (excelente) split com os Fell Voices, os Ash Borer lançaram em Março passado o seu LP de estreia, homónimo. É um disco cheio de quases: quase épico, quase melódico, quase futuro clássico… Negro e intenso, neste álbum a banda contínua a apostar numa produção suja, que à primeira vista parece até descuidada, mas que ajuda a transmitir tanto a fúria das partes pesadas, como a melancolia das passagens mais lentas. Os berros, soltos e esporádicos, do vocalista/guitarrista conhecido simplesmente como K, estão abafados algures no mix e funcionam como se fossem mais um simples instrumento, à deriva num mar agitado de guitarra e bateria. Tremolo picking e blast-beats, claro.

Apesar deste negrume, qualquer uma das três músicas que compõem o disco tem vários momentos memoráveis. Alias, é esse o ponto forte deste lançamento. Apesar do peso esmagador e da produção suja, porca e feia, a banda consegue injectar as suas faixas com momentos estranhamente … orelhudos. Em algumas secções, até fazem lembrar uma versão muito mais pesada de unsVinterland, ou o início de carreira de uns Naglfar, infectados com raiva.

Também merece destaque a variedade que a banda conseguiu atingir. Apesar de firmemente (talvez demasiado) integrados no território black metal à la Wolves in the Throne Room & companhia, os Ash Borer conseguem misturar como poucos a vertente mais lenta das suas músicas com a mais acelerada, dominada por blast-beats à velocidade da luz. As partes de transição entre os diferentes movimentos estão, na generalidade, muito bem executadas, e, apesar da extrema simplicidade, a banda consegue surpreender – aquele crescendo subtil em My Curse Was Raised In the Darkness Against A Doomsday Silence, ou o desenvolvimento final em Rest,You Are The Lightning

O quarteto norte-americano mostra que 3 faixas (ainda que correspondam a praticamente 40 minutos) são suficientes para expor muitas ideias boas e até crescer em relação aos lançamentos anteriores; os californianos até um solo de guitarra experimentaram neste LP homónimo, e a coisa não corre nada mal.

Em resumo, os Ash Borer estão no bom caminho, só falta distanciarem-se um pouco mais do som praticado por alguma da concorrência, principalmente os WitTR. Uma boa opção seria darem ainda maior preponderância à parte mais épica e arrastada do som, presente em todas as músicas deste álbum.