Desde o lançamento em Outubro, a Árvore Kriminal, segundo disco de Allen Halloween, tem espalhado as suas ramificações para lá do habitat natural. Qual chave-mestra, o novo álbum do rapper já abriu as portas da Galeria Zé dos Bois e, ontem, foi a vez do MusicBox receber um dos nomes grandes do hip-hop nacional.

Cais do Sodré. Meia-noite. Os ODC Gang, crew associada a Halloween, irromperam palco adentro, apresentando várias músicas de um movimento que representa o conspurcado subsolo de Odivelas. Enérgicos, vociferantes e entregues tanto aos beats, quanto à cortina de fumo canibinoide que de imediato se ergueu, os vários membros dos ODC Gang abriram o corredor para a entrada de Allen Halloween.

Emparelhado com o seu grupo, o emcee dos súburbios de Lisboa agarrou o MusicBox através da clássica S.O.S. Mundo. O fenómeno de popularidade que paira sobre Halloween comprova-se a cada palavra que emerge de uma voz que transporta consigo a obscuridade e a sordidez de um submundo que poucos têm vontade de relatar com exactidão. A Bruxa fá-lo e fá-lo com proficiência. Poucos são aqueles que não acompanham todos os vocábulos de um homem que, ainda assim, pareceu afectado pelos vários percalços que marcaram a actuação.

O som não correspendeu às expectativas e isso acabou por diminuir o impacto de um concerto que tinha claramente tudo para se saldar de forma positiva. Não só os beats estavam demasiado baixos, como eram constantemente interrompidos por estranhos socalcos, levando Allen Hallowen a queixar-se repetidamente e a esquecer-se da letra de Noite de Lisa, uma das faixas de A Árvore Kriminal – álbum que mereceu grande parte do foco do concerto, com Um Jardim À Beira MarAleluia A Ressureição do KriminalKilla Me e, claro, Drunfos a terem direito a desfilar pela baixa de Lisboa.

Depois de Exorcismo de Mary Witch, o rapper acabou por recolher ao backstage, deixando o público na incerteza sobre um eventual regresso. Algo que acabou por acontecer dez minutos depois, com Allen Halloween a agradecer aos presentes e a pedir compreensão pelos problemas de som, ante de finalmente se despedir com a inevitável Fly Nigga Fly, numa apresentação que, mesmo com bons momentos, acabou por saber a pouco.