Paris. Ai, que cidade chiquérrima, adoro. Perder-me na Rue de la Paix. Esborratar os dentes de vermelho-tinto com uma garrafinha surripiada à La Cave des Abbesses. Adormecer podre de bêbado no Bois de Boulogne. Sonhar com Catherine M. de perna alçada, num esfreganço voyeurista que só deus sabe. Sou um sem vergonha. Sou o Bataille dos pobres com os dedos cheirando a Madame Edwarda.

E, pronto, jamais perceberei por que raio o Freud tanta relutância mostrou em cagar na Áustria. Pior! Escolher Londres, bahaha. A sério? Em Paris, Sig, as neuroses libertam-se. As histerias vão do mono ao stereo. É um sistema double surround de gritos mudos, luxúrias regaladas, tesões satisfeitos… É uma longa valsa de pele de galinha. Os meninos encontram a sua Eva Green e elas puxam os cabelos ao Louis Garrel como gatinhas que esfalfam algodão.

O melhor dançarino neste cochilante cabaret será para sempre o pequenote Issei Sagawa. Estive à porta do número 10 na Erlanger. Queria perguntar-lhe, Sagawa-san, como foi morder as nádegas de Renée Hartevelt rendidas ao livor mortis da poesia. Retocá-la au estilete. Pintalgá-la de branco que nem Salvador Dalidedilhando aquele seu ridículo piano-fontículo. Guardar-lhe o filet mignon em pratos de plástico porque lavar a loiça é routine de gente ordinária do voter à gauche.

Issei não estava. Conta-se que por aí fez uns biscates como crítico de comida, tipo Bourdain dos porcos pervertidos.

Mas Paris está, ó se está.

À la infamie?