Lonerism é o nome do último registo da banda australiana Tame Impala, que surge na sequela do aclamado disco de estreiaInnerspeaker, verdadeiro hino ao psicadelismo. Misturado porDave Fridmann, o “Phil Spector da era do rock alternativo” segundo a revista MOJO,  Lonerism não abandona a linha musical do álbum anterior. Longe de ser um  pastiche de sonoridades psicadélicas, Lonerism injecta um renovado fôlego aos sons revivalistas que lhe servem de inspiração. As influências dos anos 60 e 70 continuam a fazer-se sentir ao longo de todo o registo, é certo, mas este não deixa de ser um disco autoral e mesmo assim acessível, quase “pop”.

Ao longo de Lonerism, a introspecção decorrente do nome está presente mas não asfixia. Este é um disco em que as canções fluem, como nuvens num céu de verão.  Elephant, o single oficial, eApocalypse Dreams talvez sejam a excepção à regra, com os seus riffs distorção que despertam a pupila dilatada. Mind Mischief é melodia sensual, cujos refrãos nos transportam para um estado de espírito muito próximo do nirvana sonoro. Em todas as canções, as letras são simples mas carregadas de significado. Num registro vocal reminiscente de um Jonh Lennon ou George Harrison, ecoam docemente como mantras sobre pequenos nada do dia-a-dia.

Para descrever as canções do último álbum, Kevin Parker, frontman e multi-instrumentista, usou a seguinte metáfora “(as canções) são como ondas que te atingem, ao invés de nadares num mar de melodia”. É exactamente nessa sensação aquática, de bem-estar quase uterino, que reside a qualidade que distancia osTame Impala de outras bandas-sensação.