Para uma total compreensão de Escape Velocity é necessária uma audição atenta ao seu antecessor, Spirit Animal. Neste disco, a componente electrónica estava salvaguardada entre ritmos de baixo e bateria.

Por sua vez, a nova proposta dos Zombi revela a parte electrónica como prato principal e é, claramente, o factor mais audível. Surge a sensação que o duo norte-americano se concentrou maioritariamente nos sintetizadores e que os restantes instrumentos foram guardados nos respectivos depósitos.

Aquilo que, à partida, poderia não resultar e traduzir-se em caminhos pouco fascinantes, torna-se, rapidamente, numa das propostas mais interessantes do ano. Escape Velocity é, de facto, uma quase completa rendição ao electrónico e aquilo que se ouve apresenta-se como uma forma de banda sonora representativa de uma viagem à conquista de um novo planeta. Com este disco, mais do que Marte ou a Lua, os Zombi merecem que o mesmo seja utilizado para a conquista de algo ainda mais grandioso. As cinco faixas que o constituem  são uma autêntica descoberta, caracterizadas por uma injecção constante de pormenores mínimos, que fazem com que este disco seja interpretado de forma diferente e mais completa a cada audição.

Com Escape Velocity, os Zombi tornam-se, definitivamente, num dos expoentes máximos desta categoria mais “espacial” do electrónico. No fundo, atingem um expoente musical não convencional, mas arrojado.