Uma coisa boa que têm o universo pesado do sludge/stoner/metal/psicadélico é que não se tem de suportar somente a dominância de bandas americanas (e algumas inglesas) podendo-se encontrar diversidade considerável, como o caso dos famosos Boris que vêm do Japão, ou o caso dos italianosUFOmammut (fundados em 1999) que se apresentam para 2008 com um registo novinho em folha. É a estes mesmos UFOmammut a que pretendo chegar.

Com Snailking de 2004, o seu segundo registo, encontraram um escape ao lusco-fusco em que se viam embrenhados e despertaram para o reconhecimento internacional como banda proeminente no género sludge-metal-psicadélico. As suas canções esticadas onde navegam riffs ecoantes com momentos de delírio psicadélico tornam os UFOmammut dignos de serem colocados a par de Monster Magnet (na fase antiga), Neurosis, Isis, Cult Of Luna, Kyuss e até em certo grau a Pink Floyd, como li algures, pelo seu estilo visionário.

Lucifer Songs de 2005, o registo anterior a este novo Idolum, tinha quebrado muitas expectativas depositadas na banda depois da aclamação quase unânime em relação a Snailking. Era demasiado experimentalista, abandonando de certa forma uma base definida em Snailking. Os seus passeios vagabundos por paisagens atmosféricas e dilatações electrónicas, não conseguiram continuar a hipnotizar muitos dos convertidos de Snailking, daí que muito do feitiço se tenha dissipado. Isto apesar dos UFOmammutcontinuarem a ser apontados por alguns críticos como os percursores de uma nova vaga sonora que mescla coisas tão distintas: “doom with psychedelic, trance with extreme, industrial with post-rock.” (parte tirada do MySpace da banda).

Existem muitas bandas que se esforçam para recriar matematicamente ambientes que estão em voga, ou para simplesmente se afirmarem como pioneiros. Grande parte dos casos acaba em diatribes paupérrimas, sem classe, turbulentas e angustiantes. Os UFOmammut têm o virtuosismo de extrair em simbiose as suas visões próprias. Cavam o suficiente para irem ás profundezas dos seus desejos, sem ficarem reféns das suas próprias escavações. Esta, é sim, uma linguagem que não traz uma nítida imagem musical, mas que é útil para desenhar uma significância presente em Idolum.

O trio italiano Poia (Guitarras, Sintetisadores), Urlo (Baixo, Voz, Sintetisadores) e Vita (Bateria e Percurssão) com Idolum, nos seus 66 minutos e 6 minutos (que é para dar um ar satânico à coisa) espalhados em 7 composições, voltam a ter uma sonoridade marcante e nuclear. É um regresso cheio de trotes maléficos de braço dado com excelentes momentos de sexo explícito entre space-rock à boa moda dos Spacemen 3 de Jason Pierce, stoner-rock e sludge bem puxado. Canções como Stardog e Hellectricpuxam dos galões com os seus riffs em rodopio para agitar as cabeças em bom headbaging, e permitir que se abandone a realidade terrestre por momentos. A que se acrescenta, ainda, os traços de desenho mais ambiental, com faixas como Ammonia e a cumprida Void/Elephantom, em que não será de estranhar mentalizarmos cenários de ficção científica, onde extra-terrestres e meteoros estão prester a por em perigo a vida deste planeta. Se houvesse um elemento-chave para definir toda a ambiência deste registo, pois seria sem dúvida o seu ar alienigena, não-terrestre. Como se os instrumentos tivessem uma origem distante dos inventos humanos. Zumbidos de outra galáxia. Como um vírus que conquista rapidamente um hospedeiro sem que os seus anti-corpos dêem uma luta significante, Idolum têm esse espírito destruidor da conquista. É uma excelente banda-sonora para quem quer ser infectado sem ter que estar doente.