O mês de Dezembro chega e, com ele, o corrupio de listas de melhores discos do ano. A BBC também já fez a sua e, no meio de vários nomes mundialmente conhecidos (de Beyoncé a Björk), surgem os Trap Them. Não deixará de ser surpreendente, até mesmo para quem há já algum tempo conhece as aventuras da banda responsável pelo primeiro moshpit na história do Roadburn.

Dezenas de audições depois, Darker Handcraft continua a exigir que se lhe dê mais uma auscultadela. A demanda repete-se desde Março. É um apelo ruidoso, vindo de um álbum que vocifera as raízes do grind nórdico à Rotten Sound, colocadas sobre aquele groove que o punk hardcore trouxe ao mundo, e decoradas com a selvajaria empedernida dos riffs made-in Converge – os quais nunca olvidam o indecoroso legado do sludge/doom. Trap Them é isto, quatro senhores que reúnem o melhor de cada um destes subsolos, rubricando o resultado final com uma distinta assinatura, que nos permite espontaneamente distingui-los do infindável lote de bandas que, nos últimos anos, se têm dedicado à mesma tarefa.

Talvez essa seja a grande vitória dos Trap Them. Apesar de conseguirmos facilmente apontar as suas referências (até porque eles não tentam de maneira alguma ocultá-las), os norte-americanos tornaram-se uma powerhouse das sonoridades extremas com o seu próprio cunho. Quiçá, é a demência de Ryan McKenney, um vocalista não só hábil em berrar, como mestre em esculpir versos para posterior memória: “I am that Goddamn son of a bitch” ajuda, e bem, a fazer de The Facts uma das faixas-rainha deste ano que agora termina; enquanto “We all stay sick, we all stay fucking stick” torna Every Walk a Quarentine paragem obrigatória na crispada viagem que é Darker Handcraft.

Ou, então, é mesmo pelos Trap Them, no seu conjunto, estarem um passo à frente no que à psicopatia rítmica e à ira diz respeito – e para isso muito contribuiu a entrada de Chris Maggio, ex-baterista dos Coliseum. Se em Sleepwell Deconstructor e emSeizures In Barren Praise temos um bando de loucos prontos a incinerar tudo o que à frente se lhes depare, em Darker Handcraftessa irracionalidade desmultiplica-se por uma série de passagens mais trabalhadas e de grooves vincadamente mais robustos. Não será coincidência o facto de o disco se fazer encerrar com Scars Align, música que tece loas à tal postura mais sludgy, que osConverge tantas vezes incorporam no seu som. E, sim, umFucking Viva ao Kurt Ballou, que, mais uma vez, aplicou com perícia os seus talentos de produtor.