É chegada a altura do ano em que deliberadamente deixamos de ouvir o que quer que veio antes de Janeiro passado e o que vá para além de Dezembro deste ano. Não nos entendam mal, é fazer contas à vida para encerrar o ano e pensar, fundamentedamente, o que, do presente ano, levamos para a posteridade. Uma lista de melhores corre, sempre, o risco de nos deixar mal – felizmente, de ano para ano, só podemos orgulhar-nos das nossas escolhas. Os meses de 2013, que acabam dentro de parcas semanas, não fogem à regra!
O disco do ano é, incontestavelmente nos nossos escritórios, “Pain is Beauty” de Chelsea Wolfe. A norte-americana assinou um dos conjuntos de músicas mais assombrosos deste ano e provou-o sólido em concerto, em Outubro passado. É uma artista que acompanhamos no PA’ há tempo suficiente para saber que este disco é o passo que nunca precisou de dar para merecer o nosso especial carinho – mas se o deu, temos como o partilhar com mais pessoas. E ainda bem.
A honra de melhor disco português, numa regra que insistimos em seguir de não fazer campeonatos à parte para os melhores que por aqui temos (são bons, jogam no campeonato dos bons e marcam pontos dessa forma), cabe a Filho da Mãe. Um grandessíssimoFilho da Mãe, com um não menos grande “Cabeça”. Um disco em que a imperfeição orgânica do dedilhado serve de catalizador emocional para um lado refrescante na faceta expressiva de Rui Carvalho: uma melodia menos dada a velocidade, mais a braços com bucolidade e o deleite estético.
Daí em diante entramos no mundo do PA’ a fundo – Oathbreaker eCult of Luna a pesar na escala chonice-barbona para o lado oposto do pêndulo boa-soul de James Blake. A ter em conta há, também, Wolvserpent, peso pesadíssimo, o electrificante “Shaking the Habitual” de The Knife e a lufada mainstream da Janelle Monáe. E muito mais a ter em conta, desde o hardcore (tão bem representado por All Pigs Must Die, Modern Life is War e, à sua maneira, pelos Black Heart Rebellion), ao drone e psicadélico dosMaster Musicians of Bukkake e Ensemble Pearl, sem esquecer as pilosidades amaciadas de nomes como Laura Marling, Julia Holter e Yo La Tengo!