No activo desde 2003 e com diversos EPs editados, este quarteto oriundo da Pensilvânia lança o seu segundo longa-duração em 2011. Shed é composto por 12 faixas que divergem consideravelmente dos registos anteriores e se encontram bem mais próximas do groove do hardcore melódico que do pop-punk orelhudo. Em relação a The Last Thing You Forget, o seu antecessor, este é um disco no seu todo mais lento, com mais guitarras sem distorção, algo que não estávamos acostumados a ouvir dos Title Fight. A boa notícia é que nestes pouco mais de 27 minutos a banda de Kingston mostra uma faceta mais madura sem com isso perder a sua energia jovial, construindo um álbum ecléctico e interessante.

Em Shed, os Title Fight parecem ter-se centrado em duas grandes ideias: por um lado, os temas mais rápidos acentuam na sua sonoridade os aspectos punk e deixam de parte os enfeites da pop; por outro, abrandaram o ritmo em algumas faixas, com isso desenvolvendo a sua versatilidade na composição. Dois exemplos desta toada mais lenta são Safe In Your Skin, com guitarras totalmente limpas, vozes suaves e um tom quase post-rock, eWhere Am I?. São, aliás, os temas mais lentos aqueles que melhor convencem e que perduram por mais tempo no ouvido.

Contudo, não faltam momentos rápidos e de digestão mais fácil, como se pode ouvir em Coxton Yard ou You Can’t Say Kingston Doesn’t Love You. De resto, os Title Fight não deixaram o passado esquecido na gaveta: temas como Flood of ‘72 e Your Screen Door mostram isso mesmo e que pela sua cadência enérgica soam perfeitos para integrar qualquer alinhamento ao vivo da banda.

É claro que ao tentar misturar o hardcore melódico com o pop-punk os norte-americanos acabam também por pisar “terra de ninguém”.Crescent-Shaped Depression (um título medonho, convenhamos) parece ser o melhor resultado desse casamento, equilibrando o passado e o futuro da banda num registo mid-tempo pleno de maturidade. Por sua vez, Society mostra inspiração nos riffs e uma inequívoca influência dos Hot Water Music, mas é no final do disco que o nível se eleva, com Stab e GMT (Greenwich Mean Time). Enquanto a primeira promete tornar-se um clássico dos Title Fight, revelando o ADN dos tempos do EP Kingston, a segunda é simplesmente a melhor e a mais negra faixa do álbum, com um baixo hipnotizante e linhas de guitarra a fugir para o sludge, encerrando o disco brilhantemente e em tom nostálgico.

Sinteticamente, neste segundo álbum o quarteto norte-americano confronta a sua sonoridade do passado, mais irreverente, rápida e crua, com uma abordagem mais trabalhada em tentativa de expansão. Resultado? Uma das surpresas de 2011 neste género e a afirmação dos Title Fight como como uma banda a ter em conta, cujos apreciadores encontrarão em Shed muito para agradar aos seus ouvidos.