Depois de dois discos algures entre o indie rock negro e o shoegaze, o trio escocês pinta neste No One Can Ever Know um universo igualmente negro e introspectivo, focado mais em sintetizadores analógicos do na wall of sound de guitarras que os caracterizava. A marcar o ritmo, está (quase) sempre um batida mecânica e impessoal – estamos agora muito mais próximos do industrial do que outra coisa.

É um ambiente ao mesmo tempo minimalista e arrojado, despido mas nunca completamente nu, se é que isto faz algum sentido. É uma mudança arriscada, para uma banda que se movia confortavelmente noutros domínios, abandonar quase por completo as cordas da guitarra/baixo para abraçar os sintetizadores e uma mood muito mais nocturna. Para uma mudança tão súbita, a coesão impressiona.

As nove faixas soam como um disco completo, e nunca como canções individuais, o que para alguns poderá ser um problema: quem achar qualquer uma das faixas monótona e desinteressante, dificilmente gostará de alguma das outras…

No meio das batidas distorcidas e dos teclados omnipresentes, está a voz grave de James Graham, com o seu sotaque carregado a dar um toque bastante próprio às letras, miseráveis e pessimistas. O cenário só muda ligeiramente do cinzento carregado para cores mais vivas na segunda metade de Kill it in the Morning, a última das nove faixas. Inicialmente quase dançável, o tema evolui no final, quando a bateria programada é substituída por uma acústica e uma guitarra aparece, quase do nada.

É esta luz, quase envergonhada, que faz falta a No One Can Ever Know – um balanço mais frequente entre ambientes opostos só fazia bem a este trio escocês. Curiosamente, No One Can Ever Know faz lembrar In This Light and on This Evening, o terceiro disco dos ingleses Editors, em muitos aspectos. Ambos foram lançados quando as bandas já tinham no CV dois discos bem recebidos e ambos abandonam as cordas pelos sintetizadores.

É como se No One Can Ever Know fosse o irmão gémeo In This Light and on This Evening. Um irmão gémeo que trocou Birmingham pela Escócia e passou muitas noites nos bares menos recomendados das zonas menos recomendadas do país. Mas é um irmão gémeo mais bem sucedido: enquanto que a mudança repentina não funcionou bem com o quarteto inglês, aqui correu tudo muito melhor. Como se fosse fácil.