Aquele que era suposto ser o dia com mais black metal desta edição, com Antaeus à cabeça, acabou por ser o que mais complicações trouxe à organização, com os cancelamentos de última hora da banda francesa e dos Malignant Tumour. Foi escolhida uma banda surpresa para substituir os checos (ver último parágrafo), enquanto que para o lugar dos Antaeus foi impossível encontrar alguém, pelo que os Piraña passaram para o palco 2 e todas as outras bandas do mesmo espaço subiram um lugar no alinhamento.

Este foi também o dia que marcou a estreia dos Heavenwood em Barroselas. Infelizmente para a banda de Gaia, o cansaço que já se espalhava pela maioria do público, aliado à hora inicial a que tocaram, fez com que o palco 1 se encontrasse bastante despido, contribuindo para uma actuação algo morna. Seguiu-se um trio de bandas de black metal, com os espanhóis Balmog e Primigenium a subir ao palco 2, enquanto os Secrets of the Moon colocavam as coisas em termos menos directos no palco principal. Sobre os primeiros, é preciso dizer que foram das bandas mais azaradas do fim de semana em termos de som. Foi uma pena não se perceber praticamente nada do que estava a sair do palco, já que a postura da banda foi irrepreensível e a sujidade que se ouve em Testimony of the Abominable do ano passado é bem agradável. Já os alemães estavam numa situação algo semelhante aos Agalloch no primeiro dia, a tocar black mais atmosférico num palco à partida demasiado grande para isso e, não tendo surpreendido pela intensidade como os americanos, não deixaram de proporcionar um concerto bem interessante. De volta ao segundo palco, foram os Primigenium a completar o trio de bandas do mesmo estilo. Se havia o risco de saturação com os concertos todos seguidos, os espanhóis mostraram competência quanto baste para não manter a audiência interessada, o que não era tarefa propriamente fácil.

Por alturas do final do concerto dos Primigenium, testemunhou-se a uma pequena migração de público para a SWR Arena, onde tocavam os Aggrenation (consta ter sido uma coisinha extremamente violenta). Na mesma altura subiam ao palco principal os Manilla Road para dar o concerto mais virado para o heavy metal clássico desta edição. Tal como acontecera na noite anterior com os Pentagram, as várias décadas de carreira não pareceram pesar minimamente e assinaram uma bela prestação, terminando em grande com Necropolis, do já longínquo mas bem envelhecido Crystal Logic. No mesmo local seguir-se-ia outro clássico, mas antes disso tempo para o palco 2 ser conquistado por outsiders de Barcelos. Sem voz, nem passagens directamente metal, os Black Bombaim fizeram aquilo que já lhes temos vindo fazer por ai fora: dar um grande concerto. Com Titans interpretado de A a C conquistaram o seu espaço, libertando no final o ritmo contagiante de Side B, do EP Saturdays and Space Travels e terminando em beleza a melhor actuação do dia neste palco.

Só não deram o concerto do dia porque logo a seguir vieram os Possessed, figura incontornável do cartaz e responsáveis pela maior enchente do palco principal durante todo o festival. Impressionante o quão relevante soa o death metal de quem lhes deu o nome e o quão transparece que gostam mesmo de fazer o que fazem. Foi o concerto mais longo do festival, tendo ainda havido dois encores após Death Metal, mas até podia ter continuado mais um bocado que poucos se teriam importado com isso. Quando bandas com ar de estar em piloto automático elogiam o público e dizem estar a divertir-se imenso, há sempre aquele lado suspeito de discurso ensaiado, ao passo que com os norte-americanos isto era tudo óbvio pelas expressões dos membros da banda, sobretudo no que a Jeff Becerra diz respeito. O vocalista, regressado recentemente aos palcos após o acidente que o deixou paralisado da cintura para baixo, denotava um ar de genuína felicidade por estar a tocar ao vivo que não é normal ver-se em músico nenhum. Juntamos isto à performance demolidora da banda e temos um momento que os presentes dão depressa não vão esquecer.

Para terminar a noite, era escolher entre a vária pancada oferecida, com os SCD e os Internal Suffering a mostrar respectivamente grindcore e brutal death no palco 2, os Mr. Miyagi a levar algum hardcore à SWR Arena e a banda surpresa que encerrou o palco principal a ser nada mais nada menos que os veteranos Mata-Ratos. Destaque rápido para a tareia que os SCD proporcionaram, com o baterista Dagulard a revelar-se dos mais impressionantes do fim de semana. Palavra final para a organização, que voltou a montar um festival com qualidade acima da média. São de elogiar os horários cumpridos, o bom ambiente verificado e sobretudo os concertos de alta qualidade.