O ano passado, por aqui, os Nails venceram à vontade o prémio de melhor disco com quinze ou menos minutos. Em 2011, os grandes candidatos são os RETOX.

Afinal, Ugly Animals tem um belo total de treze minutos. Mas não uns treze minutos quaisquer. Para já, os RETOX são um projecto do alucinado Justin Pearson, o gafanhoto-mor dos alienígenas The Locust – banda perita em colocar no mesmo ringue o powerviolence/grindcore e a new wave. E só isto deveria colocar em sentido os mais incautos.

Mas, não, os RETOX não repetem a androginia do uniforme principal de Pearson. Pelo contrário, os RETOX são um regresso aos primórdios da insânia, quando o punk florescia nas caves e garagens dos Estados Unidos. Um desabrochar aguerrido, que viria a abrir muitas testas e a despedaçar outros tantos dentes, transformando-se naquilo a que chamamos punk hardcore. Ugly Animals recupera o ímpeto anti-Reagan dos anos 80, o ímpeto anti-conservadorismo, e espeta um estaladão old school naquilo que mais desprezam.

Ainda assim, os RETOX também não são propriamente convencionais neste retorno aos pegajosos subsolos da Califórnia. Se a inspiração parece provir daquilo que os Wasted Youth ou os Negative Approach faziam há trinta anos atrás, Justin Pearson e restante comandita não se esquecem de introduzir um gostinho grind/mathcore nas suas composições, num resultado que se pode apelidar de noise e powerviolence – a tour americana com os Melt-Banana não é de todo inocente.

Sumamente, treze minutos que nos confirmam que Boredom Is Counter-Revolutionary e que Ugly Animals é o melhor antídoto para combater a constante letargia.