“The Cliff” é o mais recente EP dos Pelican e conta com a presença do vocalista Allen Epley. O mesmo sujeito que cantou “Final Breath” no álbum “What We All Come To Need”, em 2009. Essa parceria quebrou pela primeira vez um dogma pelicano – o facto de as suas composições serem instrumentais. Desta vez a banda revisitou a faixa “The Cliff” do último álbum “Forever Becoming” e adicionou-lhe os pozinhos do referido sujeito. Talvez seja expectável que o ouvinte estranhe por ter consumido a faixa numa roupagem diferente desta mais recente. Ainda assim, continuo a achar que os Pelican são especiais por serem instrumentais e esta segunda tentativa de adicionar voz é ainda mais frustrada. “Final Breath” representava uma extensão vocal fiel à componente instrumental – uma voz sem forças, murmurada e um pouco escondida pelo reverb. Em “The Cliff” parece não haver nenhuma harmonia entre o mundo vocal e instrumental. Adicionar voz às composições de Pelican é como construir um aeroporto numa aldeia pouco povoada e envelhecida. Simplesmente destrói a intemporalidade toda da coisa. Talvez os Pelican andem a tentar redefinir-se mas este não me parece ser o caminho. Abstenho-me de valorar os remixes. Toda a gente sabe que o Justin Broadrick faz remixes. A novidade talvez seja o remix dos antigos membros de ISIS (Aaron Harris e Bryant Clifford Meyer).
Os Pelican são das melhores bandas da geração Hydra Head. Álbuns como “City of Echoes” falam por si. Esperemos que deus encontre os pelicanos perdidos. Ámen.