Örök - "Übermensch"
8Signal Rex
Reader Rating 0 Votes
0.0

Não compliquemos: se não gostarem do característico black metal dos Darkspace, este “Übermensch” provavelmente não é para vocês. Arrisquemos ainda que se for esse o caso, não será nada que preocupe Örök, já que quem faz um disco baseado no conceito de “super-homem” de Nietzsche não deve estar à espera de aprovação alheia para conseguir dormir bem.

Posto isto, é precisamente na capacidade de capturar o tema do álbum na atmosfera do mesmo que jaz o principal ponto de diferenciação entre Örök e os Suíços mencionados – aos quais devíamos juntar os Paysage d’Hiver de Wroth, nem que seja pelosample de vento em “Will To Power”. Isto é, ainda que as influências estejam muito localizadas e como tal saltem mais descaradamente à vista, o producto final já é suficientemente caracterizado para não ficarmos com a impressão de cópia. Sim, há berros carregados de distorção e uma bateria maquina, as lentas e dissonantes passagens atmosféricas alternam-se com densas torrentes de riffs furiosos, só que o efeito criado nem remete para a natureza como em Paysage d’Hiver nem para o cosmos como em Darkspace.

Como em qualquer interpretação razoável do conceito de “Übermensch” (i.e. não racista), o foco está no individuo, na transcendência como um processo de tomada de poder sobre o próprio ego. Sem acesso às letras, temos de limitar a análise deste ponto à correspondência entre os títulos das músicas e o desenrolar de ambientes nas mesmas, que tanto quanto nos diz respeito está francamente bem conseguida. Após uma breve introdução, “Will To Power” parece-se com uma chamada às armas a partir de um estado de ruína. Até à transcendência vislumbrada no excelente tema título, temos ainda passagem pela morte de Deus, mais uma vez simbólica da tomada de poder do individuo sobre si mesmo, sem precisar de receber a sua moral de entidades externas.

Suponhamos no entanto que nada disto era verdade, que não só as técnicas usadas como o ambiente criado nos remetiam totalmente para criações alheias. A verdade é que mesmo assim este seria um bom disco, nem que seja pela mera qualidade de alguns dos riffs que nele se encontram – a explosão final de “Will To Power”, o primeiro riff de “Death Of God” e a tareia absurda dada pelo tema título são exemplos mais que suficientes. Que Übermensch seja então mais do que uma colecção de bons riffs enquadrados numa estética familiar acaba por ser a cereja no topo de bolo. Recomendadíssimo, se ainda não fosse claro por esta altura.