Há algo de estranhamente familiar, de estranhamente acessível no corta e cola de Replica, como se Daniel Lopatin AKA Oneohtrix Point Never tivesse pegado em canções que cantarolamos todos os dias e as transfigurasse, ao ponto de mal as reconhecermos.

Há aqui algo de pop e não pensem que brinco com o peso da palavra. Drone ambient pop, vá. Replica é um disco de samplagem e corta e cola que me obrigou a fazer corta e cola no meu top de discos de 2011 – é assim tão bom. Lopatin, o músico que em conversa com o Ípsilon disse sentir-se “mais um antropólogo, um alquimista, um misturador de coisas” do que “músico”, pegou em pedaços de anúncios das décadas de 80 e 90 e misturou-os. A repetição até ao exagero assume aqui um papel central, como se Lopatin quisesse esticar até ao máximo o material base de onde retirou as suas ideias, os anúncios, desvirtuando assim os seus signficados (os clips já retirados do disco até agora ajudam a fundamentar ainda mais essa ideia).

O resultado são dez faixas elegantes, curtinhas e abstractas. A duração das faixas é capaz de ser mesmo a única falha de Replica– andam quase todas pelas três minutos e pouco, quatro minutos, e a mais longa, Explain, nem chega aos sete. Em momentos sabem a pouco, e os finais abruptos não ajudam. Os drones e os sons mais densos que caracterizam o resto da carreira do músico-alquimista não tiveram grande espaço em Replica, mais leve e cheio de samples e sintetizadores, o companheiro inseparável do nova iorquino.

É daqueles que só ouvindo. E uma entrada directa para o meu top20 do ano.