Este ano, os Lento decidiram espancar-nos, e bem, com a sua castanhada doom. De riff em riff, três guitarras, um baixo e uma bateria fazem canções, curtas e eficaz, do melhor doom e sludge que por aí se ouve. Os Omega Massif não se distanciam da mesma linha, mas galgam-na em distância e chegam a ganhar os italianos. À vontade instrumental de bater por bater com as melodias graves e em uníssono típicas dos momentos de peso do género, a banda ainda abraça as extenções típicas do género, esticado alguns tentáculos até aos prefixos post e sufixando-se de uma lentidão ainda mais arrastada que a do quinteto romano.
Ursos Arctos é disso mesmo um bom exemplo, ainda que seja o calcanhar de Aquiles de Karpatia, no que a originalidade diz respeito: a melodia principal a orientar o doom do início não faz jus ao momento de peso verdadeiramente monolítico que se impõe a meio da música, com uma guitarra em tremolo picking completamente mergulhada em delays a dar-nos uma noção espacial oceânica como só alguns dos melhores fizeram – e com este trocadilho até parecia mal não colocar os ISIS na lista de referencias dos Omega Massif, muito óbvia em toda esta música.
Karpatia não é só pancadaria pela pancadaria. A intelectualização que os Omega Massif fazem da sua violência psicológica dá-lhe contornos masoquistas, de tão expansivos que são a nível de ideias. Não só se dão ao trabalho de bater sem peneiras nenhumas, como mostram em Wölfe, como se mostram capazes de elevar as suas ideias ao patamar da tortura, com a exploração das melodias.
É óbvio que os Lento e os Omega Massif estão a trilhar caminhos muito semelhantes, pelo que se torna quase difícil de os pôr a ombro a ombro, a certa altura. É certo que os alemães são (metaforicamente) mais rápidos. A corrida, na minha opinião, está ganha, e é graças a todos os pormenores de Karpatia, uma bela obra de artesanato de ramificações vikings (que são quem bate com mais força, segundo se diz), no que às vontades belicosas diz respeito.