Fursy Teyssier trilha o mesmo caminho que o seu baixista, mais conhecido por ser o mentor de Alcest – mas, este ano, Les Discrets ganharam a Neige e Winteralter na sua própria linguagem, a do shoegaze com um pé no modernismo “pós” e outro pousado, muito levemente, no black metal. Não podemos dizer, de forma alguma, que se trata de metal, mas é um rock denso e negro como poucos conseguiram fazer que os franceses fazem em Ariettes Oubliées…

Se os Alcest se dirigem, em passadas largas, em direcção à proposta original e de que se desviaram nos registos que foram lançando até La Voyage de L’Âme, Les Discrets atalharam rapidamente para os ambientes com que as suas sonoridades melhor encaixam, trazendo uma complexidade turva que não se dilui na beleza aparente das guitarras, estandarte do género. O resultado, forte, é uma bela ode à música de vontades mais eruditas em linguagens que entendemos mais facilmente.

A aceitação de Les Discrets passa, por isso, para o nosso lado: depende de nós, inteiramente, o impacto que as suas emoções difíceis têm em nós. Pode-se dizer que a força que Teyssier e companhia têm no ouvinte é superior à do projecto parente, não só porque o dialecto e a mensagem, em desacordo, estão em harmonia, mas porque os ambientes a isso ajudam. Tudo veste preto em Ariettes Oubliées… e é pelas sombras que os franceses se mexem melhor, quanto a isso não há dúvidas.