As inebriantes cordas vocais de Jex Thoth, inundadas de veludo e subtileza, transportam em si o peso da cinematografia. Cinco anos após a sua estreia homónima – período no qual aproveitou para fundar os Sabbath Assembly –, a norte-americana não perdeu pitada do seu encanto ocultista. Nele, esconde a ácida torrente dos 70s. Nele, protege a dolência que qualquer edificação doom reivindica.

Blood Moon Rise seduz na lentidão e conquista pela vividez musical. O disco oxigena a seu bel-prazer: Ehjä, ao longo dos oitos minutos de extensão, oferece-nos o baixo encorpado, a pesarosa guitarra e o lânguido órgão. Abrigados numa produção notável, que não encontra auxílio nas modernas ardilezas tecnológicas, os três elementos vivem sem precisar do ruído. Sim, a inspiração no doom tradicional de há quarenta anos é incontestável, mas o disco não vagueia pelos riffs assertivos, pelos grooves acelerados ou pelas explosões “sabbathianas” à Into The Void. Pelo contrário, o álbum aposta todas as suas fichas na soturna atmosfera, embebida na psicadelia dos velhinhos Coven, que subtilmente nos introduz ao sobrenatural e à magia negra.

As nove belas composições de Blood Moon Rise não teriam vida sem Jex Thoth. É por ela, pela sua dimensão vocal e interpretativa, que este projecto permanece umas léguas adiante de Blood Ceremony, The Devil’s Blood, Jess And The Ancient Ones e até mesmo de Purson, que há meses nos ofereceram o brilhante The Circle and the Blue Door. A todos falta-lhe o magnetismo palpitante de Jessica, diva furtiva que tão bem preencheria o background de uma película “tarantinesca”.