Sete mil pessoas são mortas anualmente nos Estados Unidos devido à péssima caligrafia que os médicos tanto adoram empregar. Gatafunhos, adoro-os. Anal-ogamente eu faço o mesmo no Ponto Alternativo. Uso-o como a minha folha branca, esborrato-o de faringites anómicas à espera que vos lasque um molar, que vos prenda o lábio inferior e que vos faça serpentear por aí a dizer que isto não é uma crítica. É um texto e um texto só tem valor quando te arrasta para o hiper-realismo que por hábito desdenhas, quando te destapa a gaze e te mostra a ferida de sorriso rasgado pelo tártaro purulento, quando te espeta um ferro bêbado de tétano pelo umbigo adentro logo quando sonhavas que amanhã seria um dia melhor, um texto é um assassino da moralidade, um carrasco pervertido que degola o futuro frase a frase, um manifesto que propaga o dislate, isto não é Nicholas Sparks, caralho, isto não é um artigo do João Bonifácio sobre mais uma banda que adoraria mamar os Modest Mouse nos lavabos de uma estação de serviço.

Os Haust também não andam nisto por favorzinhos, não têm uma PR Agency atrás deles que os impinja até aos blogs de reggae tal o desespero em vender meia dúzia de discos a putos imbecis, «Ah, man, fuck it, pour another drink» ouvi-os a dizer em Shoreditch enquanto os Årabrot cigarreavam um farnel de forma um bocado troglodita. Os Haust são um fuck it, o foda-se lá para ti mais a essa história do black metal, uma chiclete presa nos caracóis da loirabarmaid que tens de quatro à tua frente só porque um gordo londrino lhe pediu para ver se havia Sheridan’s. Os Haustsaracoteiam-se como uma osga pelas paredes, uns apontam e dizem que é punk, aqueles acham que é tipo krautrock feito por gajos que vivem do rendimento mínimo e os outros só se encostam a um canto a falar das mamas da fotógrafa. É tudo uma questão debodies afinal de contas.