Os Doomriders sempre fluíram qual manhã de domingo: digestão fácil, despreocupada, partilhando a leveza de espírito com que os Commodores escreveram “Easy”. Obviamente, neste empreendimento paralelo de Nate Newton (baixista de Converge, para os desatentos) não reconhecemos vestígios motown. Sob a cartilha southern, contrariando o frio do Massachusetts, seu Estado-berço, os Doomriders sempre reflectiram ares de lacónico escape para a densidade emocional que a banda de Jacob Bannon transporta. Em suma, rock pelo rock, de riff taxativo e Bourbon goela abaixo – imaginem os Thin Lizzy em amena bebedeira com os High On Fire.

Ao terceiro passo discográfico, transfigura-se o cenário. “Grand Blood”, mal “New Pyramids” se intromete no nosso encéfalo, anuncia-se denso. Esfumou-se a abordagem relaxada, de quem apenas pretender chutar uns quantos asses, bar após bar. Sem o bambolear desert, quase Homme-esque, os Doomriders mostram-se inegavelmente mais sisudos. Aquelas harmonias catchy de guitarra, quase vertendo azeite, que tão bem decoravam os dois anteriores longa-duração, deram lugar ao acre à la Old Man Gloom – a introdução de “Death In Heat” caberia, com pleno nexo, em “NO”, por exemplo. Sinteticamente, Nate escancarou as portinholas da cave sludge e obstruiu as panorâmicas janelas do classic rock.

O desfecho tem substância, robustez, mas desaponta. Não é este o ADN que identificamos e ansiamos a Doomriders – onde está aquele lado bonacheirão, até mesmo tolo, de “Fuck This Shit” ou “Worthless”, malhonas do essencial “Black Thunder”? Queríamos farra e não uma circunspecta terapia de grupo. Tens outras bandas para isso, Nate. É melhor recorrermos ao novo de Coliseum, para fins baderneiros.