Há regressos que são completamente justificados. Desde que osCave In entraram em hiato, em 2006, que uma interrupção do mesmo não era algo que assolasse os melómanos desse mundo fora; mas, em retrospectiva e com o último White Silence na equação, devia ter sido algo com que todos deviam ter sonhado uma vez por mês, no mínimo.

O novo álbum dos norte-americanos, o seu silêncio de colarinho branco, com riffs de tamanho elefante, com guitarras processadas em toneladas de efeitos, e com vozes limpas, quase bonitas, em contraste com berros guturais, é uma burla de passar a perna ao mais incauto. Se é de peso que se vai à procura neste registo, também se encontra momentos de pura felicidade Pink Floydiana, à semelhança da sua Fearless; se é de algo mais acústico que se vai em busca, também há ruído e feedbacks de guitara; se é coerência que se deseja, também se apanha uma bela dose de esquizofrenia… a verdade é que a banda de Stephen BrodskyCaleb Scofield arranja sempre maneira de enganar sem nunca defraudar, mesmo que isso implique pôr os Beatles a jogar ao lado dos Neurosis no mesmo disco.

Os Cave In não assumem compromissos com o hardcore, mas vão buscar-lhes as baterias, não se dizem exclusivos com o sludge, mas é de lá que retiram a força das guitarras, não são da pop, mas não deixam de a beijar nas últimas faixas, com composições típicas do rock mais soalheiro dos anos 60/70, e podem até odiar o prefixo post, mas andam a escarrapachá-lo em milhares de pormenores pelo álbum todo. Nem aos cânones que uma mistura destas impõe os norte-americanos cedem, fazendo tanto uma música de dois minutos de riffaria, uma viagem de uns oito minutos como Sing My Love, e ainda passam a mão, em três minutos, pelos cabelos da apaixonada Heartbreaks, Earthquakes, que, de resto, acaba por ser o título que melhor resume o conteúdo de White Silence.

Para todos os efeitos, todas as lambadas que os Cave In nos derem, quer em Serpents (isto não lembra os Old Man Gloom, com quem até partilham um membro?), quer seja em Vicious Circles, só para dar alguns exemplos, é por amor ao que fazem. Como qualquer pinga-amor, eles não se responsabilizam pelos estragos, mas nós desejamos sempre que o façam, para poderem repetir as suas asneiras. Aliás, são asneiras destas que me fazem acreditar que há regressos que vale sempre a pena desejar.