Os Bell Witch movem-se na contraluz. Esta era, onde passeamos dentes de leite que teimam em não cair e onde trazemos, como dizia o Eça, a vida às costas qual samarra embolorada, é-lhes anacrónica: à urgência do online respondem no vagar do riff, à premência do gancho enquanto momento pop erguem estruturas insensíveis como carbono. Os Bell Witch não são de 2015, nem “Four Phantoms” é um disco construído sobre o imediatismo contemporâneo. Leva tempo, muito tempo – mais de uma hora, que balúrdio, não cabe numa lista de gifs Buzzfeed.

Os quatro fantasmas evocados por Bell Witch nem sequer comungam na originalidade. Os Skepticisim, pelas labaredas meio melancólico-decadentes, de gengivas transparentes e omnisciênciapost mortem, são doutores honoris causa no funeral doom. Conhecem-se-lhes magnos volumes na matéria, prosaicas escalas de lentidão sobre um mundo que nunca deixou de chamar a peste bubónica para o almoço. Também eles retardatários, os Bell Witchdiferenciam-se sim pela abordagem de concha às greves de espírito post-metal ou, vá, concedamos, post-rock. A mestiçagem entre a guturalidade e a melodia brumal torna-os uma espécie de vigários entre o bem e o mal – “Suffocation, A Drowning: II – Somniloquy (The Distance of Forever)”, e só nela vão 22 minutos de um parágrafo clericalmente contínuo, poderia representar com o agravo da excelência uma belíssima extensão da neurosiana“Away”.

As pétreas flutuações de “Four Phantoms”, quatro gárgulas cinzentas de pó secular, são sílabas prolongadas às avessas do tempo. Liturgias mosqueadas que insistem em durar para sempre, túnicas de um branco tão alvo que parecem estar aqui desde o primeiro dia.