O nome Austra não é inusitado para o tipo de música que Katie Stelmanis consegue fazer com o seu sintetizador. Mesmo que tarde, e que, antes de mais, a música nos suba aos astros, não tarda até que Beat and The Pulse, o primeiro single da banda, bata forte na zona sul do corpo e nos remeta para um imaginário de discotecas negras, com as strob lights a doparem as percepções. É nesta negritude que a teatralidade de Feel It Break nos olha nos olhos.

Esse é, também, o grande problema do álbum, o arranque esquivo e tímido (de que se exclui a primeira Darken Her Horse), com desvios de atenção pouco eficazes, como Loose It, onde o passado de Stelmanis, enquanto cantora de música clássica, fala mais alto e condiciona as suas melodias de voz, exagerando-as ao limite do foleiro de falsetto em falsetto. No entanto, da quarta faixa em diante não há como ter dúvidas daquilo que Austra nos faz à cabeça. A sua dream pop é fruto de um cruzamento muito natural entre os tremores da electrónica e os terrenos melódico-estranhos de Fever Ray, numa proposta definitivamente mais dançável daquilo que Karin faz, apesar de Austra o fazer, praticamente à base do mesmo som de sintetizador – algo que pode tornar o disco tão aborrecido quanto, verdadeiramente, intrigante. E de que serviria partir a louça toda se não se pode dançar no fim?

É, ao notar-se o surgimento cada vez mais convicto do piano, que se torna clara a necessidade de Feel It Break se inebriar na sua própria ideia para arrancar. O que começa numa simples nota no início de The Choke, acaba por surgir como sample principal na tãoOwen Pallett Shoot The Water e é, curiosamente, o único instrumento a fazer a melodia de The Beast, uma música absurdamente acústica no ambiente do álbum, que não chega a destoar.

O trocadilho é óbvio, mas é igualmente verdadeiro: é quando Austra é austral, mais do que astral, que a sua música é mais eficaz, mesmo que os seus recursos sejam os mais óbvios e básicos da pop. É nessa simplicidade que Katie Stelmanis consegue convencer com Feel it Break e é isso mesmo, também, que faz de The Beast, a sua música quasi-acústica, a melhor música de um álbum electro pop. “Let’s get physical.”