Apesar de colocados em diferentes, mas não tão distantes, gradações estilísticas, Eyehategod e Acid King são comparáveis. Ambos estiveram pelo menos dez anos em silêncio até editar o quarto disco de originais. Os primeiros de 2000 a 2014, os segundos de 2005 a 2015. E as duas bandas, embora com maior incidência no colectivo de New Orleans, mantiveram um calendário regular de actuações ao vivo. Ou seja, não foi um hiato pleno, apenas um hiato discográfico.

Talvez por isso, tanto Eyehategod quanto Acid King mantiveram invioláveis as suas maiores qualidades e traços no regresso aos discos. Não desaprenderam. E pode-se acrescentar a maior responsabilidade da banda chefiada por Lori S., afinal “III”, o tal álbum de 2005, é unanimemente considerado a maior criação estabelecida por Acid King. Sucedê-lo seria sempre uma complicada tarefa, mas foi validada com distinção.

“Middle Of Nowhere, Center Of Everywhere” poderia ter nascido em qualquer período. Agora ou em 1998, este quarto LP com edição da finlandesa Svart mostrar-se-ia sempre uma exclamação de coerência. Seja pelos riffs alimentados a diesel de tantas travessias entre San Francisco e o Arizona, seja pelo devagar-devagarinho alucinatório que vem desde “Zoroaster”, seja pela voz alcoolicamente distante de Lori, qual fantasma em ziguezague por curvas de asfalto. “Middle Of Nowhere” é um vagabond record, banda sonora para o que Hetfield descreve em “Wherever I May Roam” com precisão. Viagens motard entre gargantas de areia etrailer parks, um disco stoner/doom como bem nos habituaram.

É Acid King outra vez, dez anos depois. O que não é negativo, pois o género vive da (boa) repetição.