Ao longo dos largos anos em que Phil Elvrum nos vem brindando com a sua arte, já será um pouco disfuncional tentar antecipar qual a forma sonora em que irá apostar. O que conseguimos antever é que será algo tragicamente afectado pelas suas emoções no momento de composição. Esse é, aliás, ponto prévio para a concepção da sua música. No fundo, estamos a falar do homem que qual eremita se isolou do mundo numa cabana localizada numa remota aldeia norueguesa. Dessa experiência resultou não só “Dawn”, o misto de livro/álbum, mas também algo que parece cada vez menos dissociado da sua escrita, a desolação, o isolamento e uma clara, mas viciante tristeza.

“Sauna” é mais um compêndio de todas essas sensações e que, novamente, mostra que Phil consegue criar não o seu próprio universo, mas também garantir singularidade às suas ideias musicais. Estranho, por certo, mas extremamente ambicioso. Talvez por isso, tudo parece encaixar sem reservas, mesmo que isso signifique a inclusão de sons externos, não instrumentais, como na faixa-título, em que se escuta o aparente crepitar de brasas. Essa será uma das qualidades do novo longa-duração, a sensação de conforto que transporta e também o imaginário recôndito em que conseguimos posicionar o trabalho de Mount Eerie.

No entanto, se a dissonância foi fonte de perfeição no disco de duas partes, “Clear Moon/Ocean Roar”, em “Sauna”, Elvrum parece tentar impor o melhor desses dois mundos, resultando numa estranha linha condutora que, se avaliada malha a malha, proporciona uma absorvente e soberba audição, mas que a nível conceptual e global como álbum acaba por se ressentir da falta de união de algumas faixas. Contudo, esse é o prisma por onde tem caminhado o americano e, como tal, a simplicidade, tranquilidade e mesmo serenidade como consegue colocar a sua voz em contextos a roçar o drone, acabam por ser uma marca indebelável do formato canção com que surge o alinhamento de “Sauna”.